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3 de setembro de 2011

Sorrisos

Ela estava sentada na poltrona preferida dele, com uma xícara de café que ela aprendera com ele a tomar. Ele a observava de longe, enquanto mexia na vitrola da sala de estar. Parecia uma criança com um brinquedo novo, mas a sua alegria era por causa do sorriso dela sempre que ele colocava uma de suas músicas preferidas.

Era uma noite como tantas outras, e como sempre ele sentia-se muito feliz com ela por perto, não parava de pensar nela, ainda que ela estivesse ali a uma distância que na prática não existia. De repente ela levantou, foi até ele, lhe deu um abraço e um beijo no pescoço. Ele sorriu intensamente.

Um outro abraço, um beijo. E ele sempre encantado com o sorriso dela. Nunca conseguira entender o porque de tamanho encanto, mas isso pouco importava. Nada mais importava quando estavam juntos. Ela voltou pra poltrona.

Ele foi até a janela, ficou olhando o céu estrelado, mas sem lua. E mesmo com ela ali, do outro lado da sala, pelo simples fato de não estar a vendo, sentiu saudades. Foi então que, num estalo, percebeu porque mesmo estando com ela não parava de pensar nela: ele a amava intensa e imensamente.


Abraço. Boa leitura.

1 de setembro de 2011

Saudade Inexplicável

Eles jantavam em silêncio, trocavam olhares que diziam o que nenhuma palavra poderia expressar. O vento soprava na janela e os talheres tocavam os pratos com tamanha sutileza que não provocavam qualquer barulho.

Ele terminou antes dela. Observou-a sem prestar atenção na comida, mas em cada traço do rosto dela, para que num outro dia, quando ela estivesse distante, ele não tivesse nenhuma chance de esquecer o quanto ela era encantadora e pudesse ter sempre certeza de que ela teria cada detalhe encantador quando habitasse em seus sonhos.

Ela ficava bastante irritada com ele a encarando enquanto ela comia, parou por umas duas ou três vezes, até que começou a ignorar, ainda que de vez em quando olhasse pra ele e os olhares cruzados resultassem em uma sensação de encanto e temor para ambos.

Fazia muito tempo que ele não se encantava dessa forma por alguém, fazia muito tempo que ele, inclusive, deixara de acreditar que isso podia existir de verdade. E ainda tinha um pé atrás, mas não tinha dúvidas de que se o amor existisse de verdade, então ele a amava. Amava doce e profundamente.

Passaram o resto da noite trocando olhares, palavras e sorrisos, e isso foi tudo. Na manhã seguinte só restou aos dois uma saudade sem explicação.


Abraço. Boa leitura.

29 de agosto de 2011

Noite e Dia

Não suportava mais aquele lugar cheio de pessoas estranhas. Um velho balbuciando provérbios populares, uma moça fazendo apelos para jovens afegãos refugiados na Argélia, um rapaz falando sobre conjecturas econômicas que não tinham qualquer sentido e, o mais estranho, dois irmãos siameses defendendo a liberdade de expressão ilimitada.

Perdeu a paciência, juntou seus papéis e rapidamente guardou tudo em sua maleta. Era um dos mais estranhos congressos de pseudociência que já tivera participado, mas outra coisa ocupava seus pensamentos, outra pessoa, aliás.

Ele não conseguia sequer lembrar-se da última vez que aquela sensação estivera presente em seu dia. Mesmo acordado ainda continuava sonhando e ela lá estava, num daqueles sonhos em que o menos importante é acordar. E nisso tudo a única coisa que ele não conseguia era encontrar uma explicação razoável, embora isso não fizesse diferença.

Preferiu um ônibus ao invés de um táxi pra ir do congresso para sua casa. O percurso de pouco mais de uma hora pareceu uma eternidade se comparado à rapidez com que passou aquela noite, faria qualquer para que o tempo tivesse passado mais devagar, pra que o céu tardasse em clarear, as estrelas eram muito mais incríveis, mas não tanto quanto ela.

Chegou em casa e quando abriu porta deu de cara com sua bagunça, olhou rapidamente a foto colada no espelho e sorriu para si mesmo esperando que as coisas realmente melhorassem e sentindo uma saudade agradável.


Abraço. Boa leitura.

31 de julho de 2011

3x4

Eles jantavam em silêncio, trocavam olhares que diziam o que nenhuma palavra poderia expressar. O vento soprava na janela e os talheres tocavam os pratos com tamanha sutileza que não provocavam qualquer barulho. A lua parada na varanda refletia no espelho da sala de jantar.

Terminaram de jantar. Foram à sala, assistiram um daqueles filmes antigos que falavam de amor. Luiza adormeceu com o rosto sobre o ombro de Miguel. Ele a colocou nos braços e a levou ao quarto, colocando-a na cama e cobrindo-a com o cobertor. Fechou o apartamento e colocou a chave por baixo da porta.

Entrou no elevador já sentindo saudades. Não foi a despedida que ele esperava, afinal passariam um bom tempo longe agora. Luiza ia pra Grécia terminar o mestrado e ele ia voltar para o caos daquela cidade grande que tanto o irritava. Saiu do prédio caminhando para o bloco onde ficava o apartamento de sua família no condomínio.

Por um instante parou e ficou encarando o céu. Poucas estrelas, algumas nuvens e, pela hora, o amanhecer se aproximava. Com uma leve brisa, o frio percorreu seu corpo, começando dos pés e se espalhando pelo resto do corpo. Ele lembrou do sorriso dela, quase invisível com luz apagada e só o brilho da TV pra iluminar, o frio sumiu.

Deu mais alguns passos e, já na frente do seu prédio, sentou ao meio fio e ficou lamentando a saudade. Queria mais tempo, mais sorrisos e mais beijos com gosto de chocolate. Abriu a carteira e ficou olhando uma foto três por quatro que tinha dela por um longo tempo.

O dia foi amanhecendo, e ele percebeu uma coisa no céu. Quase que simetricamente metade do céu estava limpa e azul e a outra metade estava carregada de nuvens cinzas. Era quase como a confusão que passava com ele naquele momento.


Abraço. Boa leitura.


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"Diga a verdade
Ao menos uma vez na vida
Você se apaixonou
Pelos meus erros"
(3x4 - Engenheiros do Hawaii)

2 de julho de 2011

"Final Feliz"

Ele se viu olhando nos olhos dela, a encarava e fazia todo o barulho ao redor sumir. A música alta, as conversas nas mesas ao lado, os gritos do gerente com os garçons, tudo era suprimido pelo olhar dela, que parecia dizer mais que qualquer outra coisa. Ou pelo menos era o que ele pensava, até ela falar.

- O que você tem em mente? - perguntou sem fazer ideia do que ele realmente tinha em mente.

Em tanto tempo, essa talvez fosse a oportunidade mais clara de dizer tudo o que ele sempre quisera, mas estivera impedido por todas aquelas coisas que ele costumava chamar de princípios. Estavam lá, apenas os dois. Mas ele hesitou. Não daria aquela resposta.

- Não é nada importante. Você nem acreditaria se eu lhe dissesse - falou tentando parecer soberbo.

Jantaram, conversaram e foram embora. Ele a levou em casa, sentaram em um banco nos jardins da alameda em que ela morava e conversaram mais. Vez por outra ela insistia em tentar voltar ao assunto e ele desconversava. Ele sabia que nunca teria coragem de dizer a verdade.

Já tarde da noite ele a acompanhou até a entrada de sua casa. Se despediram e quando ele deu as costas, ela o puxou pelo casaco e o beijou. Uma, duas, três, quatro vezes.

- Agora você pode ir.

E ele fez exatamente o que ela disse. Rindo por dentro, feliz e ao mesmo tempo desconcertado. Entrou no carro e saiu dirigindo para casa.


Abraço. Boa leitura.


Nota: pra quem andava reclamando da falta de finais felizes por aqui, espero que esse agrade. ;D

1 de julho de 2011

Vanessa

Passava da meia-noite, Samuel estava irritado, embora não conseguisse tirar os olhos de Vanessa. Nunca tinha feito isso de forma tão clara, os olhos dela eram como um feitiço, um encanto.

Ele a queria do lado, a queria perto. Aquela ligação havia despertado aquilo que ele antes tentara esconder. Ele tinha se encantado por aquele sorriso doce, um sorriso encantandor, um sorriso que não merecia ficar escondido.

E mesmo depois de estar por perto ele queria mais. Queria aquela pele macia, aquele perfume atraente, mas mais que tudo aquele sorriso e aquele olhar que o tiravam do sério.

Mas ele precisava cessar, não podia saltar em mais um abismo...

E agora o que será que aconteceria?

30 de junho de 2011

Pérola

Mais um dia de trabalho chegava ao fim, não suportava mais a rotina. Casa, trabalho, casa. Precisava de diversão, de ausência de responsabilidades e sabia que nunca mais teria isso como nos tempos em que fora jovem. Jogou-se na cama e encarava o teto, foi quando o telefone tocou.

Espantou-se imediatamente, era uma mensagem de texto de Pérola. Abriu, mas para seu lamento estava corrompida mensagem, algo havia dado errado no envio. Ele telefonou para ela, o celular estava desligado. Ficou intrigado, não esperava que ela lhe mandasse uma mensagem.

Tentou mais algumas vezes telefoná-la, em vão. Voltou para a cama e ficou mais uma vez encarando o teto. Agora ela ocupava sua mente, mas muito mais que qualquer traço que ela carregasse ele afundava seus pensamentos naquele sorriso que ela carregava, doce, tão doce. Da janela veio um vento, um tanto quanto frio.

E ele já quase dormia quando o celular toca novamente. Dessa vez uma mensagem da operadora, avisando que ela tinha ligado o celular. Ele ligou, imediatamente. Ela atendeu já dizendo que seu celular havia descarregado e perguntando da mensagem. Ele pode sentir um certo alívio do outro lado da linha quando disse que a mensagem havia chegado corrompida, ilegível.

Ele então perguntou o que estava na mensagem e ela disse que não era nada importante, em seguida disse que precisava desligar, já era tarde e ela trabalharia amanhã cedo. Ele desligou com uma curiosidade infindável. Do outro lado, ela sorriu pois a mensagem dizia justamente que ela queria apenas ouvir a voz dele.


Abraço. Boa leitura.