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28 de fevereiro de 2012

Intolerável Tolerância

O gosto pela intolerância é cada vez maior entre as pessoas. É constante a situação de uns exigindo tolerância por meio da intolerância, é algo como: "Você tem que me respeitar, mas a recíproca não se aplica".

Eu não sou envangélico e nem sou homossexual, o fato é que essa briga entre protestantes e homossexuais está ficando ridícula, aliás é ridícula desde o princípio. Agora está ficando criminoso, desumana, ao ponto de um lado comemorar a morte de um expoente do outro.

É chocante, mas a morte de um pastor em Recife, assassinado pelo próprio filho, gerou inúmeras manifestações de satisfação de parte da comunidade homossexual, e eu me pergunto: a troco de quê?

Esse ódio que os dois lados têm demonstrado entre si é algo tão bestial, ao ponto de ser assustador. Enquanto os protestantes querem que os homossexuais sejam banidos do convívio social, estes comemoram a morte de um líder evangélico. Porque tanto ódio?

Tanto um, quanto o outro grupo querem a mesma coisa: respeito. Ambos querem que seu espaço seja respeitado dentro do convívio social. O que tanto um, quanto o outro esquecem é que na sociedade é preciso respeitar o espaço alheio, ou pelo menos assim deveria ser.

Provavelmente vai aparecer um e outro dizendo que eu tô tomando partido. Eu não estou. Apenas vejo o que está acontecendo, custo a acreditar que ambos estejam certos em suas formas de tentarem "resolver" o assunto, afinal se ambos estão agindo da mesma forma, é impossível que ambos estejam igualmente certos.


Abraço. Boa leitura.

8 de janeiro de 2012

SUS

Recentemente eu passei por uma experiência que me deixou pensativo e que me fez ver que estou certo quando digo que só nos importa aquilo que nos interessa. Se não nos diz respeito, se não pode nos trazer algum benefício, que se dane. Não pode haver uma outra explicação razoável para tanto.

Ainda no ano que já não existe mais, tive a oportunidade - ou seria um infortúnio? - de passar pelos serviços oferecidos por aquele que, na teoria, deveria ser o melhor sistema de saúde do mundo, o SUS. Vou narrar em brevidade para que não fique efadonho e eu possa chegar onde quero.

Cheguei num local de atendimento por volta das sete da manhã e recebi a ficha de número 20, quase que ao mesmo tempo que eu, o médico que atenderia a mim e a outras pessoas ali também chegou. Por causa do barulho, fui atender a um telefonema em outro local. Ao retornar, cerca de seis minutos, me surpreendi ao saber que a quinta pessoa já estava sendo atendida. Esperei mais um pouco e, sendo a vigésima pessoa a ser atendida, por volta das sete e quarenta já havia sido atendido.

Isso é um absurdo!

É impossível que um médico atenda de forma razoável vinte pessoas em quarenta minutos, em dois minutos o máximo que ele vai conseguir fazer é perguntar o nome da pessoa e o que ela sente. Grande parte dos atendidos ali deixavam o consultório inclusive com receitas. Imagine que nesse ritmo, se trabalhasse quatro horas diárias um médico atenderia 480 pessoas. Inconcebível.

Vejo rotineiramente muita gente reclamando da saúde pública, médicos inclusive. Mas, salvo engano, recentes greves da categoria não cobravam melhorias nas condições de trabalho, mas tão somente melhorias salarias. O médico deveria atender as pessoas com um mínimo de dignidade, mas é impossível ser digno em dois minutos, e desafio qualquer um a dizer que é possível dar um diagnóstico razoável nesse tempo.

As pessoas parecem tratar os médicos como anjos intocáveis, e eles até podem ter um pouco disso, mas não se pode admitir que médicos sejam incriticáveis. Não se pode admitir que médicos tratem pessoas como animais, que não as deêm um atendimento moralmente digno. Porque o médico que assim agir no setor privado não terá pacientes, se não é aceitável no setor privado, porque temos que aceitar isso no serviço público?


Abraço. Boa leitura.

22 de outubro de 2011

Mas. (Ponto final)

Eu não precisava escrever, mas. (Ponto final). O céu é azul, mas. (Ponto final). Os pássaros voam, mas. (Ponto final). Aquele batom vermelho era encantador, mas. (Ponto final). As pessoas sempre têm uma escolha, mas. (Ponto final). A noite estava calma, mas. (Ponto final). Um bom vinho sempre é uma boa companhia, mas. (Ponto final). Eu poderia continuar com isso, mas. (Ponto final).

Algum sentido no que eu escrevi antes? Possivelmente não. É engraçado? Talvez. O fato é que sempre que colocamos um "mas" após uma vírgula, uma pausa, esperamos não só uma continuidade, mas uma inversão de pensamentos, uma adversidade ao que foi dito antes. Não dá pra dizer: "Júlia gosto de você, mas. (Ponto final)". Continuemos então.

Resolvi escrever. Às vezes também é cinza. Não me trazem notícias suas. Eu não podia tocá-lo. Preferes ficar em cima do muro. Aquele abraço era cheio de tudo que não fosse calmo. Eu prefiro a sua companhia. Acho que as pessoas já podem entender o que eu quis dizer.

Preciso de algo mais para ir adiante.


Abraço. Boa leitura.

15 de outubro de 2011

Interesses

É na correria de uma cidade grande em que nós podemos perceber que, no mundo real, ninguém se importa com os outros. É verdade também que isso não é absoluto, mas basta conflitar o interesse do outro com o seu próprio e as pessoas estarão dispostas a mostrar quem realmente são por detrás da máscara de politicamente correto ou por detrás do escudo e espada de paladino da igualdade.

Num mundo ideal, se um mendigo na porta de um restaurante nos pedisse dinheiro pra comida e nós só tivéssemos o bastante para pagar a nossa comida compraríamos a comida pra viagem - porque certamente o restaurante não aceitaria que duas pessoas dividissem o mesmo prato - e comeríamos na rua dividindo com o mendigo. No mundo real nós olhamos para o lado e dizemos alguma palavra de negação ou simplesmente ignoramos.

Mas é sempre muito bonito falar no bem alheio. É sempre digno de aplausos quando alguém usa uma bela frase de fraternidade, justiça ou igualdade. É discurso recorrente atacar a hipocrisia, falar em ética, moral e dignidade. As pessoas só costumam esquecer que antes de satisfazer os interesses alheios, o que importa mesmo é satisfazer o nosso interesse pessoal e que a maior hipocrisia é satisfazer o interesse pessoal sob o argumento de satisfazer o interesse coletivo.

Seria muito mais fácil viver no mundo se um ato dessa natureza não existisse. As pessoas deveriam ser capazes de admitir que o próprios interesses vêm antes dos interesses alheios, mas ao invés disso vivem em uma espécie de peça teatral da vida moderna querendo pregar um faz de conta que todos sabemos que não existe.

Eu me importo primeiro comigo, é o meu interesse que eu coloco na frente, não tenho medo e nem vergonha de esconder isso. Se eu tiver que escolher entre o meu interesse e o de quem quer que seja, escolherei o meu, sem pestanejar. Se eu puder atender o meu interesse e, de brinde, o interesse coletivo será ótimo, mas não vou me colocar em segundo plano.

E para os quem acham que minhas palavras e meus atos são repletos de hipocrisia, não cito ninguém, não conto nenhuma história bonita de quando eu era criança e nem dou nenhuma satisfação. Eu tenho uma pergunta: eu admito que o meu interesse fica em primeiro plano, sou hipócrita por isso? Se defender o interesse próprio em nome do interesse coletivo é conceito de honestidade, ética e moralidade, eu prefiro que as pessoas continuem achando que eu não tenho nenhum pouco disso. (E o que as pessoas pensam, aliás, pouco me importa).


Abraço. Boa leitura.

13 de junho de 2011

Num Desses Encontros Casuais

Fitava alternadamente a taça de vinho e o salão, conhecia de si tão pouco naquele momento que não era capaz de diferenciar se estava sonhando ou acordado. Em um rápido olhar sob o salão algo prendera sua atenção, lá estava aquela mulher que ele pouco conhecia, mas com um sorriso deveras atraente, e que sorriso.

E ela veio em sua direção, sentou-se ao seu lado e começaram a conversar como se fizesse mais de meio século que se conhecessem. E a conversa se estendeu por horas e horas, sorriram e choraram, discutiram em um momento e ali mesmo fizeram as pazes.

Chegava a hora do restaurante fechar as portas, pagaram as contas. Cada um pagou a sua. Mas saíram juntos - e por juntos leia-se "lado a lado" -, e caminharam assim até o estacionamento. Lá conversaram um pouco e decidiram tomar café-da-manhã juntos. Cada insistindo para que o outro fosse em seu carro.

Saíram em carros separados. Por um instante era como se um seguisse o outro. Ela tentou ligar para ele mas o telefone estava ocupado, e ele tentou ligar para ela, mas o telefone também estava ocupado. Pararam para o café-da-manhã numa padaria perto da igreja. Desceram e perguntaram simultaneamente: "Com quem você estava falando?"

Após isso olharam feio um pro outro, não acreditavam no que ouviam. Discutiram, e dessa vez sem pazes. A fome passou. Entraram em seus carros e partiram. Sem um beijo sequer.

***

Ele acordou já quase de noite, com muita sede. Foi beber um copo de água na cozinha. Não sabia se tinha sido apenas um sonho, ou se tudo havia acontecido. Foi para a faculdade, e lá cruzou com aquela mulher, ela parecia não reconhecê-lo, e ele fingiu nunca tê-la visto antes.

***

Ela acordou pouco antes do almoço, foi à cozinha e fez a própria comida. Comeu, ainda com aquele cara indigesto na lembrança. À noite foi à uma entrevista de trabalho numa universidade, e por lá cruzou com aquele cara. Ele a olhou estranho e ela pensou: "Cafajeste!"

25 de abril de 2011

Semana "Santa"

Não é informação privilegiada para ninguém que me conheça razoalvemente o fato que eu não sou uma pessoa muito religiosa e eu não tenho vergonha disso. Sou católico apostólico romano não-praticante - e se eu fosse vocês nem me perguntaria porque.

Mas eu tenho bons amigos e familiares bastante religiosos - alguns fervorosos demais para se discutir religião. E eu lembro de um tempo em que eu mesmo ligava pra certos costumes religiosos, principalmente cristãos. E um costume em particular vem perdendo valor com o passar dos tempos: a Semana Santa.

Hoje ela nem é mais tão santa assim, tem muita gente confundindo o período que representa os últimos dias de Cristo com o Carnaval. Tem faltado respeito ao período, embora pra mim isso não faça lá muita diferença - exceto que eu tenho mais um motivo pra tirar onda dessa sociedade otária.

São festas, bebedeiras e pecados - embora pecados existam o tempo todo - em alta num período que deveria ser repleto de autopreservação, de recolhimento e de abstinência. Mesmo as cidades mais paroquianas - daquelas que é possível que um padre proíba manifestação de candomblé em praça pública, mesmo que isso seja rasgar a Constituição - esquecem um pouco do quanto são paroquianas e se vestem de fantasias típicas de Carnaval.

"Esse rapaz reclama de tudo". Algumas pessoas podem estar pensando agora. Não tô reclamando, na verdade, eu tô só tirando onda com quem diz que eu sou sempre do contra, que eu sempre reclamo, só porque eu não pago de politicamente correto. E não pago mesmo. Vou ser assim, seja breve, seja sempre.

O homem revestiu tudo com um signigicado ético, mas isso um dia será tão relevante quanto hoje é a masculinidade ou feminilidade do Sol. Quem diz algo parecido com isso é Nietzsche, e é verdade.


Abraço. Boa leitura.


P.S.: Diferente do Carnaval, na Semana Santa eu não me enquadro no que critico, tenho certa consideração à tradição e não bebo vinho com a mesma função da água mineral.

8 de abril de 2011

#TragédianoRio

Estupidez. Não pode ser caracterizada de outra forma a ação dessa criatura, não pode ser chamada de ser humano, que provocou essa tragédia no Rio de Janeiro. Tragédia no sentido estrito da palavra, não dá pra querer interpretar ou justificar, simplesmente aconteceu. Cabe a nós lamentar e desejar condolências aos familiares, com a criatura morta, nada mais pode ser feito.

Lamentável. Uma outra coisa que merece lamentação é o fato dessa criatura não ter pensado de uma forma mais socialmente aceitável de promover uma chacina, ele poderia, por exemplo, ter se dirigido ao plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, ia ser uma chacina que talvez prestasse algum serviço, se não à nação, pelo menos ao Estado do Rio de Janeiro. Sem contar que o transformaria num herói, num mártir.

Revoltante. E o que mais revolta, o que mais instiga revolta não é o ato em si, nem a forma como foi praticado, mas a forma como a imprensa tem tratado a situação, transformando uma tragédia dessa magnitude em uma briga idiota por exclusividade e audiência. Vale lembrar que isso não é novidade, mas sempre que acontece me irrita. Queria ver se uma das vítimas tivesse o sobrenome Marinho ou Macedo como seria a abordagem...

Uma estúpidez lamentável e revoltante, devidamente registrados. Aos pais uma dica: comprem armas de brinquedo para seus filhos, e tão logo seja possível lhes deêm armas de verdade, mas sempre ensinem a eles o que disse outrora Samuel Colt: "Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas".


Abraço. Boa leitura (ou nem tão boa).

22 de março de 2011

Amargura

Ele observou o porta-retratos por alguns segundos antes de fechar a porta do quarto. Colocou a bolsa nas costas e saiu. Ignorou a tia que perguntou aonde ele ia. Olhou a hora no relógio cerca de vinte vezes nos dez metros que separam a porta de seu quarto e a porta de casa.

Subiu na sua velha motocicleta, que ele carinhosamente apelidava de Donabella. E arrancou cortando o vento. Para quem estava nas ruas por onde ele passava com tanta rapidez, poderia dizer que ele estava sem rumo certo, mas ele já tinha feito aquele caminho tantas vezes que Donabella parecia estar no piloto automático.

Ele diminuía velocidade sempre que se aproximava do prédio, passava pela guarita quase parando e sempre soltava uma piada com Pedro um dos guardas noturnos. Como era visitante e não tinha vaga, deixava Donabella em cima da grama do canteiro central do condomínio.

Subia sempre pelas escadas, não confiava em elevadores e o segundo andar não era tão alto assim. Acendia um cigarro para já chegar irritando Dona Cornélia, a mãe de Ana. Sem bater, abria a porta e entrava. Quase tudo como de costume naquela noite. A resposta de Dona Cornélia mudou quando ele perguntou onde estava Ana.

A senhora, com seus cinqüenta e tantos anos, sentada na poltrona vendo uma porcaria qualquer na TV, disse que a moça acabara de descer. Fora para o mirante do condomínio. Deixou a mochila com os livros da moça no sofá e foi ao encontro dela no mirante. Teve impressão de ter ouvido um murmúrio de Dona Cornélia enquanto fechava a porta, mas não quis perguntar nada. Estava ansioso para ver Ana.

Tinha tanta pressa que pegou o elevador para descer. Foi até o mirante praticamente saltitando. E ao chegar mais perto, apertou os olhos e entristeceu-se. Ana estava com um rapaz, de mãos dadas. Ele a chamou uma vez, timidamente. E uma seguna secamente, foi quando o rapaz percebeu e acenou para que Ana pudesse notá-lo.

- Eu trouxe seus livros. Deixei a mochila com sua mãe. Até mais.

Sem esperar uma resposta, virou-se e partiu amargurado.


Abraço. Boa leitura.

21 de março de 2011

Músicas e lembranças

As dificuldades daquele show começaram já nos preparativos: o site problemático fez com que por vários momentos eu duvidasse da efetivação da venda dos ingressos. Foi preciso enviar um e-mail para o titular da conta em que tinha sido depositado o dinheiro para que eu finalmente me assegurasse da venda. Depois veio a carteira de estudante, foi preciso tirar a de 2010 para poder comprar a meia entrada porque eu não possuía a carteira (mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa) ou seja, minha carteira serviu/servirá tão-somente para a compra dos ingressos, já que se vencerá daqui a poucos dias, já vou logo adiantando que foram os treze reais mais bem gastos da minha vida.

Com a carteira em mãos apenas dois dias antes do show, lá fomos Sérgio e eu rumo a Natal para o show dos nossos sonhos. Mas as dificuldades não parariam por aí. Chegando às portas do teatro com várias horas de antecedência descobrimos que Tácio, por ter 17 anos, 10 meses e 23 dias, precisaria da companhia dos pais para entrar no teatro. Tentamos argumentar de todas as formas, trouxemos a mãe dele para autorizá-lo a entrar na nossa companhia e funcionária dizia que não adiantava autorizar, era preciso acompanhar. Os ânimos se exaltando. Uma pequena multidão de jovens com o mesmo problema que ele já se amontoava às portas do teatro e ameaçava fazer uma rebelião. E o tempo passava.

Nove da noite. Era hora de o show começar. Desconsolados despedimo-nos dele e entramos no hall. Quando estávamos às portas do teatro propriamente dito, a multidão de menores de idade irrompe porta adentro. Aparentemente por uma falha de uma das funcionárias permitiu-se que uma garota entrasse sem os pais. "Agora que eu entrei só saio arrastada." Pronto, todos os outros tinham o pretexto de que precisavam para entrarem também. E quem conseguiria segurar aquela multidão de jovens vivendo num país sedento de cultura e ávidos por um momento de embriaguez da boa música?

Posicionamo-nos estrategicamente a uma ou duas pessoas de distância da grade que separava a pista do palco. O palco do teatro é baixo, assim quando o pano preto caiu estavam lá à altura dos nossos olhos Gessinger e Leindecker. Tocam o primeiro acorde e cantam o primeiro verso: "amanhã talvez esse vendaval faça algum sentido". Amanhã não. Hoje. O vendaval pelo qual passamos para chegar àquele momento foi instantaneamente esclarecido. "É justo que muito custe aquilo que muito vale", já diria Santa Teresa.

A próxima uma hora e meia foi inesquecível. Cantando as músicas de Engenheiros, descobrindo e me deliciando com as (até então desconhecidas para mim) músicas de Cidadão Quem.

O que torna uma música boa é a capacidade que ela tem de fazer você lembrar. Lembrar de pessoas, de fatos, de pensamentos. Em cada música, vinha a tona um momento, vinha a tona uma pessoa, vinha a tona uma emoção:

"Diga a verdade ao menos uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros."

"Que amor era esse que não saiu do chão? Não saiu do lugar. Só fez rastejar o coração."

"Teus lábios são labirintos, Ana, que atraem os meus instintos mais sacanas."

"Ei mãe, eu tenho uma guitarra elétrica! Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter."

"Deve haver alguma coisa que ainda te emocione."

E finalmente, no clímax do show, todos enchem os pulmões para entoar o hino:

"....mas não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamo ir!"

Todos voltam para casa renovados. O show acabou. Mas as músicas, e principalmente as lembranças que elas trazem continuarão nas nossas cabeças por muito tempo!

10 de março de 2011

Todo Carnaval Tem Seu Fim (Ainda Bem)

Ainda bem que todo carnaval tem seu fim, como disseram meus queridos Hermanos de barba. Esse carnaval então, me trouxe uma visão ainda menos poética do Carnaval. Culpa da decadência da moralidade na nossa sociedade contemporânea. Parafraseando Humberto Gessinger, lhes digo que nós, homens de ideias tão modernas, ainda somos como os mesmos homens das cavernas em alguns sentidos.

Vamos por partes, como o estripador. Carnis vallis, em grego refere-se aos prazeres da carne. É esse o significado do Carnaval, e isso talvez justifique toda a depravação que anualmente ocorre de maneira ainda menos moderada. Me perdoem o conservadorismo quase que ortodoxo, mas certas coisas são exageros em demasia, pra não dizer que são total perda de senso moral e estupidez anacrônica.

O Carnaval virou reduto de estereótipos em sua maioria anencéfalos: o rapaz forte e sem camisa que, cedo ou tarde, ficará impotente por causa dos anabolizantes, e a moça distinta que usa microssaias e esquece de colocar a calcinha, o que em alguns casos prolonga o Carnaval até novembro.

As músicas carnavalescas então, essas sim é que estão cada vez mais raras. Os paredões da playboyzada transformam a folia num baile funk em movimento onde a palavra de ordem sonora é sexo. O som é impróprio, ou pelo menos deveria ser, para as crianças que estão na folia, mas ninguém se importa.

A maioria das drogas da moda no Carnaval são inaláveis. Uma mistura de clorofórmio e éter, popularmente conhecida como loló, faz a cabeça da maioria. Mas tem gente mais ousada usando lança-perfume, ou ainda cocaína. A polícia faz a parte dela: procura os traficantes e faz vista grossa pros usuários, esquecendo que sem usuário o tráfico não existe.

Agora alguém pode estar pensando: "Que cara mais idiota! Se não gosta do Carnaval, respeite quem gosta!"

Se pra não ser idiota eu precisar respeitar todas as idiotices em massa que eu presenciei - e em certos casos, até pratiquei -, me perdoem, mas eu serei idiota por muito tempo ainda. Mas pensem assim, se até a Mulher Maravilha e o Super-Homem fugiram no Carnaval, idiota mesmo é quem ficou.


Abraço. Boa leitura.

17 de janeiro de 2011

Reprise

Enquanto a grande mídia faz sensacionalismo barato com a tragédia carioca usando a dor das vítimas por alguns pontos de audiência. E enquanto a sociedade sensibilizada faz doações para ajudar as vítimas. E enquanto os políticos fazem um discurso proselitista de unir esforços para ajudar as vítimas. Todos se esquecem de que há pouco menos de um ano, em abril de 2010, as chuvas provocaram uma tragédia no mesmo Rio de Janeiro, alguém se lembra do Morro dos Prazeres e do Morro do Bumba, em Niterói?

A verdade é que quando a tragédia acontece todo mundo tem consciência social, todo mundo é solidário, todo mundo quer somar à união de esforços. Mas enquanto as pessoas esperarem que as tragédias ocorram para ajudar as vítimas e assim ganhar pontos como cidadãos politicamente corretos e solidários, essas mesmas pessoas não passarão de um ajuntamento de idiotas.

O que aconteceu no Rio não foi um desastre natural, foi irresponsabilidade. Das vítimas e do poder público. Esse último, por omissão, por inação. E algumas pessoas poderão achar arrogante criticar e apontar culpados agora, mas do meu ponto de vista é muito mais responsável fazer isso do que doar R$ 25 mil ganhos num jogo de pôquer, atitude típica de quem quer aparecer nas colunas sociais.

A tragédia carioca é apenas um filme reprisado, e enquanto as pessoas não foram capazes de perceber que o mal tem que ser cortado pela raiz e preferirem paliar as tragédias fazendo doações para as vítimas, é triste, mas é preciso dizer que a sociedade será cúmplice de homicídio.

E enquanto isso, mais uma vez eu peço pro Gil cantar: "O Rio de Janeiro continua lindo..."


Abraço. Boa leitura.

12 de janeiro de 2011

"Boa" Idéia

"Por trás dessa máscara há mais do que carne e sangue. Por trás dessa máscara está uma idéia, e idéias são à prova de balas".

É o que diz o personagem principal, V, do filme "V for Vendetta". E é apenas uma pequena demonstração da intangibilidade e da força que uma idéia pode ter. Mas vou falar de uma idéia em particular hoje: perder. Perder??? É, isso mesmo perder. Uma idéia intimamente ligada à idéia de vencer. Ninguém tem a idéia "brilhante" de perder, óbivo. Mas quando pensamos em vencer algo, em ter sucesso em alguma coisa, sempre nos passa pela cabeça o inverso. Não é mesmo?

Se pararmos pra pensar um pouco o revés sempre passa por no nossa cabeça, seja quando nosso time de futebol vai enfrentar um adversário difícil, seja quando vamos à uma entrevista de emprego bastante concorrida, seja quando vamos fazer um concurso difícil ou um vestibular concorrido. Muito embora tenhamos em todas essas situações a imensa vontade de sobressair-nos, pensamos muitas vezes mais na possibilidade inversa.

E por falar em emprego, concurso, vestibular. Recentemente tive a satisfação de ter muitos colegas aprovados no vestibular, e aqui registro minhas congratulações a todos. E tenho certeza que todos podem atestar o que eu falei antes sobre pensar em perder, mesmo quem estava em segundo lugar e no fim pensou em primeiro, ainda tinha dúvidas se realmente ia passar. Porque o vestibular é uma caixinha de surpresas.

Vejam se não, o primeiro colocado no curso mais difícil de se passar - Medicina - havia sido apenas o 388º colocado na primeira fase, enquanto o primeiro colocado não foi sequer aprovado, ficando em 150º. E então, o que dizer dessa caixinha de surpresas chamada vestibular?

Aos amigos que não passaram posso dizer que não desanimem, vestibular, assim como o carnaval, tem todo ano. Termino com um trecho extraído do Diário de Roscharch, um anti-herói dos quadrinhos que enfrentava mesmo as situações em que a derrota era certa. "Jamais se desesperar. Jamais se render".


Abraço. Boa leitura.

4 de janeiro de 2011

No Fim Venceu a Diversão...

Eu queria escrever algo sobre vencer, não consigo precisar o que seria, mas sei o motivo. Uma noite muito divertida com grandes amigos, um jogo divertido da época de infância e uma vitória heróica depois de quase nove horas de jogo e mais de 240 exércitos perdidos no último ataque - WAR ainda é muito divertido, muito mesmo, mas como diz o nome do jogo Rodrigo, guerra é guerra!

E é na guerra diária das responsabilidades que deixamos passar despercebido tantas coisas que achamos divertidas, que nos deixam felizes ou mesmo que nos irritam de uma forma saudável. Na correria de trabalho, faculdade e outras responsabilidades, mal paramos para dar uma boa gargalhada, os sorrisos de felicidade são raros, normalmente depois de uma prova ou em uma ocasião especial (leia-se: sentimental), e as irritações constantes não são nenhum pouco saudáveis. Mas felizmente alguém inventou as férias.

As férias para reencontrar com os amigos, as férias para passar a noite fazendo algo que nós fazíamos durante o dia quando éramos criança. As férias pra dormirmos de dia e passarmos a noite acordados. Tem um certo tédio em alguns momentos das férias, mas ainda assim, férias são sempre férias. É um período sem responsabilidades, embora não seja um período para sermos irresponsáveis, seria como confundir liberdade e libertinagem.

Ora, ora, se não seria de Renato Russo que eu me lembraria agora, a música é L'Aventura, quando o Renato diz que "quem pensa por si mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria" - acho que ouvi isso pela primeira numa aula de Cloacir. E ser livre como uma andorinha (não é a mesma coisa que a rolinha, Fernanda, olhei no pai dos burros) que voa para onde quer, realmente é algo muito sério, muita gente confunde liberdade com a libertinagem do Conde de Rochester, que foi além dos limites e encurtou sua vida.

Mas a vida é curta depois que a gente entra na universidade, responsabilidades, escolhas que decidirão nosso futuro e uma rotina assassina que faz o tempo passar mais rápido. E depois vem o trabalho, e com o salário as contas. E de repente estamos velhos, cansados e percebemos que a vida passou. Ficando só as lembranças de noites como a de hoje, com uma amiga que chorou de rir pra não morrer no jogo, de um amigo que saiu do jogo pra ir dormir e antes de ir passou mais de uma hora nos braços da amiga que morreu (eu percebi sua preguiça repentina seu Rilliam), da outra amiga que disse umas dez vezes que ia parar de jogar porque estava com azar (sem falar nos sucessivos putaquepariu, né Anelisa?) e do (melhor) amigo que entrou no meio do jogo e como sempre quis me atrapalhar, mas no fim, eu venci.

Venci? Que nada! Foi divertido demais para só eu ter vencido. Até porque, todos teremos as mesmas lembranças.


Abraço. Boa leitura.

1 de janeiro de 2011

Feliz 2011

Bem, aqui estou eu. Pontualmente três da manhã de 1º de janeiro. Eu deveria estar com meus amigos, mas optei por ficar em casa na companhia de um vinho antigo e algumas mesas de poker.

Passar o ano novo assim, o que antes me parecia um réveillon fracassado, agora me transmite paz. Estou feliz. Estou na minha casa, bebendo meu vinho, na minha taça, no meu computador, jogando com um amigo bexiguento! Esse está sendo o melhor ano novo da minha vida! Daí você para pra pensar e está correto: só passei réveillon fracassado (¬¬).

Gostos desta data, mas parece que quanto mais eu gosto, menos eu aproveito. Seja lá do que eu goste.

Não quero entrar nesse mérito. Quero mesmo falar desse sentimento de renovação. Dessa “coisa” de ano novo que faz a gente respirar aliviado, ter aquela sensação de missão cumprida (por enquanto) e seguir em frente. Seguir com novas esperanças, novas magias, novos desejos. É essa coisa de NOVO! Novo tudo! Parece que num novo ano a gente quer que o mundo se exploda só pra poder renascer!

Acho engraçado isso, não vou mentir. Teoricamente é um dia como outro qualquer, mas na prática é aproveitado como um único dia no ano, o qual merece atenção especial. E realmente merece.

1º de janeiro é como a multiplicação de todas as segundas-feiras do ano! É aquele dia que pede um recomeço, que pede um pedido, que pede uma verdade, ou uma mentira que se torne realidade. A única coisa que o 1º de janeiro pede de verdade é um dia de alegria, no qual a gente esqueça todas a desavenças e seja feliz.

Eu quero ser feliz, você também!

A gente quer mesmo se reunir com os amigos, beber até cair e não lembrar nada no outro dia. A
gente quer dizer que aproveitou, seja lá de que forma.

Eu aproveitei, e não interessa a vocês a forma como eu fiz isso. Só espero que tenham passado um ótimo réveillon, e que esse 2011 seja tão bom pra vocês quanto eu espero que seja pra mim.

Espero também que essas esperanças se renovem a cada dia, pois apesar de nem todo dia ser dia primeiro, todo dia merece ser de renovação.

Desejo o melhor pra todos aqueles que têm esperanças... E desejo que me perdoem: esses são os mais sinceros votos de uma bêbada que virou o ano jogando poker e bebendo vinho.

Feliz 2011!

Fernanda Gomes =D


Nota: Ela que devia ter postado. Eu nem devia ter postado, ou então não devia ter corrigido, mas atendendo a um pedido dessa bêbada. Eu fiz isso.

31 de dezembro de 2010

Repostando...

Há pouco mais de dois anos eu havia feito uma postagem aqui no blog, com o título "Para estar com ela...", falando de um filme muito bom, que após escrever eu vou rever, chamado O Ilusionista, de Neil Burguer. Edward Norton interpreta um famoso ilusionista, chamado Eisenheim, que reencontra seu primeiro, e possivelmente único, amor: a duquesa Sophie von Teschen, interpretada por Jessica Biel.

Mas o príncipe Leopold, herdeiro do Império Austro-Hungárom está noivo de Sophie, e fará de tudo para casar com ela e realizar seus planos de dar um golpe no pai. A trama do filme é muito bem estruturada, e o final é surpreendente. Mas eu não sou fã de spoillers, vejam o filme, vale a pena. No decorrer do filme, usando suas ilusões Eisenheim passa a ser perseguido pelo chefe de polícia.

***

Já nos momentos decisivos do filme, quando questionado pelo chefe de polícia por que insistia em tais atitudes, Eisenheim limitou-se a responder: "É apenas para estar com ela...". Apenas mais tarde o chefe de polícia entenderia que o ilusionista estava apenas fazendo mais um truque, um truque "vivo". Mas o interessante nessa parte, é a fala do ilusionista, para estar com ela...

E sabem, se pararmos para pensar um pouco as vezes fazemos isso. As vezes fazemos algo, um sacrifício ou não, apenas para nos sentirmos perto de alguém, ou para estarmos perto literalmente. Sempre movidos por algum sentimento forte, seja uma paixão ou uma grande amizade. O fato é que quando situações assim acontecem, é porque existem pessoas com as quais nos importamos e nos preocupamos, e pessoas que de uma forma ou de outra amamos de verdade.

Sabem, eu já parei uma vez, já deixei tudo que eu estava fazendo para me sentir perto de alguém muito importante pra mim, e não me arrependo. Porque quando sentimos essa necessidade de largar tudo, fazê-lo nos traz tranquilidade, calmaria e, acima de tudo, nos deixa felizes. E é isso que importa, ser feliz. É curiosa uma observação que Eisenheim faz no começo do filme: "Nunca tivemos a sensação de que um lindo momento pareceu passar tão rápido e queriam que pudéssemos faze-lo durar mais? Ou ver que o tempo não passa em um dia tedioso e queriam que pudéssemos faze-lo passar mais rápido?"


Abraço. Boa leitura.


N.A.: É a primeira vez que posto algo que já postei antes.
Outra N.A.: A parte em itálico após a quebra do texto foi retirada da postagem original.

28 de dezembro de 2010

Madrugada

Eu ia falar de armas, ia falar de Samuel Colt e da máxima que diz que "armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas". Mas, por acaso, apertei num link no Twitter para o perfil do "Pequeno Príncipe" (@OPeqPrincipe), e descobri que vai ter uma série animada no segundo semestre do ano que vem e que será exibida aqui por algum canal, até agora não confirmado. E daí? Alguns podem estar se perguntando.

Eu comecei a ler pedaços soltos do texto de Saint-Exupéry, e me dei conta que nunca li esse livro. Pra ser sincero não sei sequer de que trata a história, além do deduzível que é a história de um pequeno príncipe. Já ouvi inúmeras pessoas falando desse livro, sou um fã de livros, mas nunca o li. Na verdade, a primeira vez que esse livro passou em minhas foi há alguns dias quando acabei presenteando alguém com ele.


Introduções de lado. Vamos ao que interessa.

"Foi o tempo que você dedicou a sua rosa que a fez tão importante". É tão óbvio o que Exupéry diz, que chega a passar despercebido. Mas vamos pensar um pouco. Se eu dedico meu tempo ao trabalho, o trabalho se tornará importante, se eu dedico meu tempo ao estudo, será o estudo a se tornar importante. Se dedicamos nosso tempo a uma pessoa, essa pessoa se tornará importante.

Mas porque com as pessoas é diferente? Porque o insucesso com pessoas importantes nos afeta mais que nos estudos ou no trabalho?

Isso me lembra um filme bobo, A Ilha, dele só é possível aproveitar a definição de Deus ("Sabe quando você quer muito alguma, fecha os olhos e pede? Deus é o cara que ouve e te ignora".), o espetáculo que é a Scarlett Johansson e uma outra passagem falando sobre previsibilidade e curiosidade.

***

Deu tilt aqui na postagem, perdi a concentração e o raciocínio, por estar dedicando tempo a uma certa rosa - ou seria uma erva venenosa (risos).

Mais uma do Pequeno Príncipe pra encerrar. "É preciso proteger as lâmpadas com cuidado: um sopro as pode apagar..."


Abraço. Boa leitura.

P.S.: Até um título foi difícil depois dessa.

17 de dezembro de 2010

Apenas Um Velho Clichê

É Natal, tempo de alegrias e confraternizações. Deixamos um pouco de lado os problemas, reunimos nossas famílias, nossos amigos e comemoramos o tempo do bom velhinho. É, mas o Natal não é diferente de outros tantos clichês. E me perdoem, não que eu não goste de clichês, eu até simpatizo com alguns, mas aquele "Feliz Natal", "Feliz Ano Novo", "Feliz Aniversário", "Tudo de bom pra você", "Muitas felicidades", entre tantos outros, é tão verdadeiro quanto uma manchete no jornal dizendo que a corrupção foi erradicada do Congresso.

E eu falei de corrupção não por coincidência, mas porque essa nossa falsidade diária, essa aparência que mantemos na sociedade, nada mais é do que corrupção também. Diariamente não estamos praticando a roubalheira tradicional que existe nos corredores do poder, mas corrompemos algo, ao meu ver, ainda mais precioso: corrompemos valores.

Deixamos de lado qualquer sentimento de moral, de respeito, e porque não dizer de humanidade. Vivemos e nos tratamos como robôs, autômatos programados para dizer "Bom dia. Como você está? -Eu estou bem. E você?". Isto é ridículo, a sociedade age ridiculamente mas há quem se ache "chique" vivendo assim. É por isso, que mesmo simpatizando com alguns, esses velhos clichês me irritam e eu os evito.

Por isso, para os caríssimos - anônimos ou não - que perdem tempo lendo minhas balbucias, sem o velho clichê de feliz Natal. Mas a gratidão por todos os elogios que recebi ao longo do ano - sinceros ou não - e a garantia de que próximo ano continuarei por aqui, balbuciando bobagens que poucos leem e menos ainda refletem.


Abraço. Boa leitura.

15 de dezembro de 2010

Refrão de Bolero*

Não era tristeza que lhe afligia, mas saudade. As lembranças estavam tão frescas e eram tão doces, que ocasionalmente ele se pegava, feito bobo, sonhando acordado. Já tinham se passado quase duas semanas desde o fim do verão, mas ele não conseguia tirar aquele sorriso, aquele olhar e aqueles beijos de sua lembrança. E de súbito ele lembrava daquele refrão de bolero do Gessinger...

Teus lábios são labirintos, Ana.

Queria mesmo era ligar pra ela, fazer uma proposta irrecusável, mesmo sabendo que ela iria recusar pela n-ésima vez. Cansou, foi até a adega da casa, pegou os melhores vinhos que tinha e embriagou-se enquanto ouvia o blues de Sonny Boy Williamson. Diferente do costume e da cerimônia tradicional, bebeu como se fosse aguardente, ao passo de que sequer podia contar quantas garrafas vazias estavam espalhadas pela casa.

Tombando conseguiu chegar ao jardim, na metade da noite, uma hora perfeita para desabar e dar de cara com uma imensa lua prateada no céu. Fixou o olhar por uns instantes, e logo em seguida podia enxergar, como se olhasse um retrato, o contorno daquele rosto que tanta falta lhe fazia. E ainda tinha a mesma certeza, não estava aflito de tristeza, era saudade.

Adormeceu ali mesmo, ao amanhecer não foram os raios de Sol que o acordaram, mas as cócegas que uma magnífica borboleta colorida fazia parada em seu nariz, desejou agora que alguém pudesse tirar uma fotografia daquela cena inesquecível, mas era em vão. Em uma fração de segundos a borboleta bateu asas e voou. E ele nada podia fazer, como nada podia fazer quando Ana decidiu partir...


Abraço. Boa leitura.


*É, os títulos das canções de Engenheiros sempre me inspiram.

28 de novembro de 2010

Quem Sustenta o Tráfico?

A outra face da moeda da guerra promovida no Rio não pode ser esquecida. Não podemos deixar de lado o detalhe mais aterrador dessa situação. O tráfico só existe porque alguém usa a droga. E não tô falando daquele maconheirozinho de faculdade ou de uma daquelas figuras raquíticas viciadas em crack que estampam matérias sobre uma das drogas mais devastadoras que existem.

A maconha e o crack são drogas razoalvemente pouco rentáveis se comparadas com o que realmente financia a mega-estrutura do tráfico no Rio, no Brasil e porque não dizer no mundo. O pozinho branco ocasionalmente visto nas telas de cinema é a engrenagem que faz girar todo a estrutura do narcotráfico. Elias Maluco, Isaías do Borel, Marcinho VP, Beira-Mar, entre outros são meros varejistas nesse meio.

Não passam de coadjuvantes tanto quanto aquele moleque que eles usam como "aviãozinho". A estrutura real ainda está oculta aos nossos olhos, passa por cima - e muito - disso tudo, tenham certeza que vai ter muitos políticos, e não se espantem se houver envolvimento das cúpulas que comandam a segurança nacional. Um quilo de cocaína pode custar até 100 vezes mais que um quilo de maconha e 5 ou 10 vezes mais que um quilo de crack. Aliando essas cifras à ideia de que todo homem tem seu preço, seria fácil conseguir corromper muita gente para facilitar as coisas.

E quem paga essa conta? Afinal o quilo de coca que deixa a Colômbia por 2 mil dólares, chega ao Brasil por 4,5 mil, vai pros Estados Unidos e custa 25 mil dólares, podendo variar entre 40 e 80 mil dólares da Europa ao Extremo Oriente. E numa conta razoável onde só no Rio de Janeiro em torno de 1 bilhão de reais por ano é movimentado pelo narcotráfico, não é difícil descobrir que quem financia não são os pobres, nem a classe média, quem financia o crime é a high society.

Daí fica fácil entender porque tem tanto ativista de Direitos Humanos falando em prol de traficante e bandido, como disse o Matias no primeiro Tropa de Elite, "são um bando de viciado, um bando de playboy filhadaputa". A sociedade devia deixar de ser hipócrita, quer usar droga? Legalize! Até quando vamos deixar hasteada a bandeira de que o crime compensa? Depois de excomungar os traficantes, as autoridades deviam fazer o mesmo com quem leva as drogas até a high society, porque tenho certeza que não é o favelado que faz isso, é outra pessoa.


Abraço. Boa leitura.

17 de novembro de 2010

Ele e Ela

Ele e Ela

E ela foi passando
E ele a olhando sorriu
E ela sorrindo partiu
E ele ficou pensando

Dias e noites passaram
Chuvas finas caíram
Algumas flores abriram
Noites e dias passaram

E de repente se encontraram
Cruzaram palavras soltas
Cheios de intenções outras
E de repente se conversaram

Uma conversa 'distante'
Mas em breve concluída
E antes da sua partida
Ele a deixou importante