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21 de julho de 2011

Velha Nova Página...

Miguel estava cansado. Trabalho, projetos, ideias e mais trabalho, era uma rotina que fazia ele manter seus pensamentos distantes de Luiza. Ou pelo menos durante a maior parte do tempo, afinal, quando era noite, sentado na sala com a caneca preferida dela cheia de café e ouvindo Chico Buarque, era impossível não lembrar daquele sorriso.

Os dias haviam virado semanas e, em breve, virariam meses. Ele sabia que ela tinha conseguido um bom emprego na Europa e em breve partiria, para voltar sabe-se lá quando. E ele pensou, e ponderou, mas não conseguia mover uma palhar sequer. Ele precisava de algo mais para correr, de algo que nunca tivera certeza se ela lhe ofereceria.

No mais íntimo de sua saudade, o que ele queria mesmo era que os sonhos de todas as noites se tornassem reais. Ele, ela, dois sorrisos e um conto de fadas. Suspirava pensando nisso e desanimava em seguida, a vida real era muito mais dura.

Levantou da poltrona e foi até a cozinha buscar mais café. Na volta o vento fez a janela da sala bater forte e ele teve um pequeno susto, derramando café no chão. Normalmente ele deixaria aquela mancha de café ali por dias, até que resolvesse chamar a diarista. Mas, por uma ironia qualquer, foi até a cozinha, molhou um pano e foi limpar a sujeira.

Quando limpava o chão ele viu o reflexo de alguma coisa sob a poltrona, esticou-se e não alcançou. Tirou a poltrona do lugar e encontrou um porta-retratos, era uma foto sua com Luiza. Uma foto boba, que eles tiraram no último dia do curso de fotografias que fizeram juntos, estavam tão felizes, tão sorridentes.

A lembrança boa lhe arrancou uma lágrima, não de tristeza. Sorriu e resolveu arrumar todo o apartamento.


Abraço. Boa leitura.



Quem quiser mais contos de Miguel e Luiza clique aqui.

30 de março de 2011

Apenas Saudade

Ao abrir a caixa de e-mails, deparou-se com uma mensagem de Silvio. Hesitou, mas abriu.

Eu fiquei procurando um sorriso, enquanto a paisagem quase indistinta passava pela janela do ônibus naquela noite de céu estrelado mas de lua ausente. Eu procurava um sorriso que não encontraria ali, mais que isso, eu procurava um sorriso inalcançável.

A ligação recebida horas antes de cair na estrada me trouxerá muita alegria, ouvir aquela voz doce ao telefone me remetera a lembranças de um tempo bom, um tempo que não mais voltaria. E ainda que fosse apenas pra agradecer a devolução dos discos velhos dos Mutantes.

Como sempre, eu alonguei a conversa para rápidoslongos trinta minutos. Com o intuito exclusivo de ouvir sua voz. E após desligar, retornei a ligação pra desejar um bom dia, e ouví-la novamente. Mas ficou me faltando o seu sorriso.

O sorriso de nossos abraços apertados, dos cigarros compartilhados, do vinho barato comprado no buteco da esquina. O sorriso que você me dava quando eu chegava naquela casa que tinha sua cor, a cor da sua alegria. Esse sorriso me falta, me faltará sempre. Só sobra a saudade e, por sorte, algumas migalhas de pão.

Talvez você apague esse e-mail antes de ler, talvez nunca o leia, ou simplesmente leia e ignore. Ainda assim, até logo, mas não adeus.

Em silêncio após reler o que ele tinha escrito, Caroline deitou-se ao lado de André, fechou os olhos e dormiu.


Abraço. Boa leitura.

25 de março de 2011

Concerto

A orquestra até agora não o tinha surpreendido, eram músicas que ele já vira outras vezes, ao ponto de ser entediante algumas vezes. Marcos, no entanto, tinha encantado-se com outro tipo de beleza, que não a artística. Ele sempre encontrava Sofia nos concertos, ocasionalmente conversava com ela, nunca deixara de notar o quanto ela era bonita, mas naquele dia algo era diferente.

Ele atentava para cada detalhe da moça ao seu lado, do pouco mais delicado movimento do cabelo até uma suave ansiedade no bater dos pés, passando por suaves piscar de olhos e alguns risos recatados observando a orquestra. Mas eram os olhos negros que o prendiam, ainda que de forma esquiva não cansava de tentar fitá-los.

Por alguns instantes a música da orquestra era inaudível, os traços da moça pareciam servir como mãos tapando seus ouvidos. E mais, ele por vezes desejou sentir o toque da moça, a maciez de sua pele, chegou a ter a ligeira sensação de ter hesitado em tocá-la. E ele queria tê-lo feito, ali enquanto a orquestra começava as novidades do concerto.

Se conteve, como forma de se proteger, é fato, mas os olhares diferentes que lançara naquela noite certamente o incomodariam em outras noites. Na saída do teatro, após o concerto, trocou algumas palavras com Sofia e, finalmente, a tocoou, despediu-se com um abraço que lhe trouxe ainda mais força à imaginação, o perfume dela era quase tão incrível quanto o olhar negro.


Abraço. Boa leitura.



Nota: esse conto foi manuscrito, escrevi mais cedo com uma caneta e um papel em branco.

17 de janeiro de 2011

Reprise

Enquanto a grande mídia faz sensacionalismo barato com a tragédia carioca usando a dor das vítimas por alguns pontos de audiência. E enquanto a sociedade sensibilizada faz doações para ajudar as vítimas. E enquanto os políticos fazem um discurso proselitista de unir esforços para ajudar as vítimas. Todos se esquecem de que há pouco menos de um ano, em abril de 2010, as chuvas provocaram uma tragédia no mesmo Rio de Janeiro, alguém se lembra do Morro dos Prazeres e do Morro do Bumba, em Niterói?

A verdade é que quando a tragédia acontece todo mundo tem consciência social, todo mundo é solidário, todo mundo quer somar à união de esforços. Mas enquanto as pessoas esperarem que as tragédias ocorram para ajudar as vítimas e assim ganhar pontos como cidadãos politicamente corretos e solidários, essas mesmas pessoas não passarão de um ajuntamento de idiotas.

O que aconteceu no Rio não foi um desastre natural, foi irresponsabilidade. Das vítimas e do poder público. Esse último, por omissão, por inação. E algumas pessoas poderão achar arrogante criticar e apontar culpados agora, mas do meu ponto de vista é muito mais responsável fazer isso do que doar R$ 25 mil ganhos num jogo de pôquer, atitude típica de quem quer aparecer nas colunas sociais.

A tragédia carioca é apenas um filme reprisado, e enquanto as pessoas não foram capazes de perceber que o mal tem que ser cortado pela raiz e preferirem paliar as tragédias fazendo doações para as vítimas, é triste, mas é preciso dizer que a sociedade será cúmplice de homicídio.

E enquanto isso, mais uma vez eu peço pro Gil cantar: "O Rio de Janeiro continua lindo..."


Abraço. Boa leitura.

12 de janeiro de 2011

"Boa" Idéia

"Por trás dessa máscara há mais do que carne e sangue. Por trás dessa máscara está uma idéia, e idéias são à prova de balas".

É o que diz o personagem principal, V, do filme "V for Vendetta". E é apenas uma pequena demonstração da intangibilidade e da força que uma idéia pode ter. Mas vou falar de uma idéia em particular hoje: perder. Perder??? É, isso mesmo perder. Uma idéia intimamente ligada à idéia de vencer. Ninguém tem a idéia "brilhante" de perder, óbivo. Mas quando pensamos em vencer algo, em ter sucesso em alguma coisa, sempre nos passa pela cabeça o inverso. Não é mesmo?

Se pararmos pra pensar um pouco o revés sempre passa por no nossa cabeça, seja quando nosso time de futebol vai enfrentar um adversário difícil, seja quando vamos à uma entrevista de emprego bastante concorrida, seja quando vamos fazer um concurso difícil ou um vestibular concorrido. Muito embora tenhamos em todas essas situações a imensa vontade de sobressair-nos, pensamos muitas vezes mais na possibilidade inversa.

E por falar em emprego, concurso, vestibular. Recentemente tive a satisfação de ter muitos colegas aprovados no vestibular, e aqui registro minhas congratulações a todos. E tenho certeza que todos podem atestar o que eu falei antes sobre pensar em perder, mesmo quem estava em segundo lugar e no fim pensou em primeiro, ainda tinha dúvidas se realmente ia passar. Porque o vestibular é uma caixinha de surpresas.

Vejam se não, o primeiro colocado no curso mais difícil de se passar - Medicina - havia sido apenas o 388º colocado na primeira fase, enquanto o primeiro colocado não foi sequer aprovado, ficando em 150º. E então, o que dizer dessa caixinha de surpresas chamada vestibular?

Aos amigos que não passaram posso dizer que não desanimem, vestibular, assim como o carnaval, tem todo ano. Termino com um trecho extraído do Diário de Roscharch, um anti-herói dos quadrinhos que enfrentava mesmo as situações em que a derrota era certa. "Jamais se desesperar. Jamais se render".


Abraço. Boa leitura.

4 de janeiro de 2011

No Fim Venceu a Diversão...

Eu queria escrever algo sobre vencer, não consigo precisar o que seria, mas sei o motivo. Uma noite muito divertida com grandes amigos, um jogo divertido da época de infância e uma vitória heróica depois de quase nove horas de jogo e mais de 240 exércitos perdidos no último ataque - WAR ainda é muito divertido, muito mesmo, mas como diz o nome do jogo Rodrigo, guerra é guerra!

E é na guerra diária das responsabilidades que deixamos passar despercebido tantas coisas que achamos divertidas, que nos deixam felizes ou mesmo que nos irritam de uma forma saudável. Na correria de trabalho, faculdade e outras responsabilidades, mal paramos para dar uma boa gargalhada, os sorrisos de felicidade são raros, normalmente depois de uma prova ou em uma ocasião especial (leia-se: sentimental), e as irritações constantes não são nenhum pouco saudáveis. Mas felizmente alguém inventou as férias.

As férias para reencontrar com os amigos, as férias para passar a noite fazendo algo que nós fazíamos durante o dia quando éramos criança. As férias pra dormirmos de dia e passarmos a noite acordados. Tem um certo tédio em alguns momentos das férias, mas ainda assim, férias são sempre férias. É um período sem responsabilidades, embora não seja um período para sermos irresponsáveis, seria como confundir liberdade e libertinagem.

Ora, ora, se não seria de Renato Russo que eu me lembraria agora, a música é L'Aventura, quando o Renato diz que "quem pensa por si mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria" - acho que ouvi isso pela primeira numa aula de Cloacir. E ser livre como uma andorinha (não é a mesma coisa que a rolinha, Fernanda, olhei no pai dos burros) que voa para onde quer, realmente é algo muito sério, muita gente confunde liberdade com a libertinagem do Conde de Rochester, que foi além dos limites e encurtou sua vida.

Mas a vida é curta depois que a gente entra na universidade, responsabilidades, escolhas que decidirão nosso futuro e uma rotina assassina que faz o tempo passar mais rápido. E depois vem o trabalho, e com o salário as contas. E de repente estamos velhos, cansados e percebemos que a vida passou. Ficando só as lembranças de noites como a de hoje, com uma amiga que chorou de rir pra não morrer no jogo, de um amigo que saiu do jogo pra ir dormir e antes de ir passou mais de uma hora nos braços da amiga que morreu (eu percebi sua preguiça repentina seu Rilliam), da outra amiga que disse umas dez vezes que ia parar de jogar porque estava com azar (sem falar nos sucessivos putaquepariu, né Anelisa?) e do (melhor) amigo que entrou no meio do jogo e como sempre quis me atrapalhar, mas no fim, eu venci.

Venci? Que nada! Foi divertido demais para só eu ter vencido. Até porque, todos teremos as mesmas lembranças.


Abraço. Boa leitura.

1 de janeiro de 2011

Feliz 2011

Bem, aqui estou eu. Pontualmente três da manhã de 1º de janeiro. Eu deveria estar com meus amigos, mas optei por ficar em casa na companhia de um vinho antigo e algumas mesas de poker.

Passar o ano novo assim, o que antes me parecia um réveillon fracassado, agora me transmite paz. Estou feliz. Estou na minha casa, bebendo meu vinho, na minha taça, no meu computador, jogando com um amigo bexiguento! Esse está sendo o melhor ano novo da minha vida! Daí você para pra pensar e está correto: só passei réveillon fracassado (¬¬).

Gostos desta data, mas parece que quanto mais eu gosto, menos eu aproveito. Seja lá do que eu goste.

Não quero entrar nesse mérito. Quero mesmo falar desse sentimento de renovação. Dessa “coisa” de ano novo que faz a gente respirar aliviado, ter aquela sensação de missão cumprida (por enquanto) e seguir em frente. Seguir com novas esperanças, novas magias, novos desejos. É essa coisa de NOVO! Novo tudo! Parece que num novo ano a gente quer que o mundo se exploda só pra poder renascer!

Acho engraçado isso, não vou mentir. Teoricamente é um dia como outro qualquer, mas na prática é aproveitado como um único dia no ano, o qual merece atenção especial. E realmente merece.

1º de janeiro é como a multiplicação de todas as segundas-feiras do ano! É aquele dia que pede um recomeço, que pede um pedido, que pede uma verdade, ou uma mentira que se torne realidade. A única coisa que o 1º de janeiro pede de verdade é um dia de alegria, no qual a gente esqueça todas a desavenças e seja feliz.

Eu quero ser feliz, você também!

A gente quer mesmo se reunir com os amigos, beber até cair e não lembrar nada no outro dia. A
gente quer dizer que aproveitou, seja lá de que forma.

Eu aproveitei, e não interessa a vocês a forma como eu fiz isso. Só espero que tenham passado um ótimo réveillon, e que esse 2011 seja tão bom pra vocês quanto eu espero que seja pra mim.

Espero também que essas esperanças se renovem a cada dia, pois apesar de nem todo dia ser dia primeiro, todo dia merece ser de renovação.

Desejo o melhor pra todos aqueles que têm esperanças... E desejo que me perdoem: esses são os mais sinceros votos de uma bêbada que virou o ano jogando poker e bebendo vinho.

Feliz 2011!

Fernanda Gomes =D


Nota: Ela que devia ter postado. Eu nem devia ter postado, ou então não devia ter corrigido, mas atendendo a um pedido dessa bêbada. Eu fiz isso.

29 de dezembro de 2010

Intuição

David estava um pouco irritado, Jaqueline não lhe dera qualquer sinal de vida. Ele não sabia se iriam ao cinema juntos ou não, e ficava cada vez mais tarde. Ele estava incessantemente fumando e tomando café, não conseguia se controlar na frente da TV, sempre passando as mesmas bobagens de sempre.

O telefone toca.

- Desculpas meu querido. Não dei notícias porque estava no hospital, mas já estou bem.

- Estar no hospital é mais um motivo para que eu não te desculpe. Eu teria ido te visitar.

- Eu sei, por isso não te liguei.

Ele já imaginava que ela não queria vê-lo, mas essa foi a gota d'água. Sentiu vontade de explodir ao telefone, mas hesitou, e hesitar com ela era ceder. Mesmo assim não a desculpou, mesmo sabendo que isso faria pouca diferença. Foi rude, foi chato, irônico e depois desligou o telefone.

Não parou de pensar nela por um segundo sequer, enquanto deixava de lado a televisão por um gole de cerveja e um jazz dos anos 30. A cerveja acabou e ele se viu compelido a continuar bebendo, foi até o buteco da esquina. E continuou.

Bebeu, bebeu, bebeu...

Não ficou bêbado, não perdeu a noção, e não parou de pensar nela. Foi para casa. Abrindo a porta, ouviu o telefone tocar, tentou abrir a porta mais rápido, opção errada a chave emperrara. Quando conseguiu abrir, e se agarrar o telefone...

Beep-beep... beep-beep... beep-beep...

Ele tinha certeza que era ela, e dormiria com essa certeza. Pensou em telefonar, mas ainda estava com o orgulho ferido.


Abraço. Boa leitura.

18 de dezembro de 2010

Cervejas, Garoa e Uma Violeta

Longos anos se passaram, e vez ou outra ele ainda sentia falta dela. Estranhamente a triteza de sua partida nunca o afligira, a única coisa que lhe infestava era uma saudade indomável. Ele ainda mantia o porta-retratos em sua escrivaninha, sem saber porque. E acabava se distraíndo às vezes olhando para aquele retrato. Mas no fundo, sabia que não precisava olhar aquela fotografia para se distrair, qualquer leve pensamento que o levasse até ela o fazia se distrair.

Naquela noite, sem qualquer razão aparente, não seguiu sua rotina. Ao invés de um tradicional vinho, abriu uma cerveja. E depois outras tantas. Caminhou pelo jardim com a garrafa na mão, sem se incomodar com a leve garoa que as nuvens despejavam com suavidade.

Encontrou, perdida no jardim, uma violeta. Escondida o bastante para ele saber que estava ali desde muito tempo, porque sequer lembrava quando fora a última vez que o jardineiro colocar violetas no jardim. Com cuidado, arrancou-a do chão e a levou para a estufa. Lá procurou um vaso e deparou-se com mais uma lembrança dela. Um vaso quebrado, desde o dia que ela partira.

Fez com que ele lembrasse o porque de sua partida. E pra aquela saudade que o infestava, diria que faria ela se apaixonar por ele todos os dias se isso fosse preciso. Uma lágrima, um sorriso tímido e alegre, uma batida mais forte e mais rápida no coração e um curioso desejo de mais três beijos, foi essa mistura de sensações que sucederam-se após a lembrança.


Abraço. Boa leitura.

17 de dezembro de 2010

Apenas Um Velho Clichê

É Natal, tempo de alegrias e confraternizações. Deixamos um pouco de lado os problemas, reunimos nossas famílias, nossos amigos e comemoramos o tempo do bom velhinho. É, mas o Natal não é diferente de outros tantos clichês. E me perdoem, não que eu não goste de clichês, eu até simpatizo com alguns, mas aquele "Feliz Natal", "Feliz Ano Novo", "Feliz Aniversário", "Tudo de bom pra você", "Muitas felicidades", entre tantos outros, é tão verdadeiro quanto uma manchete no jornal dizendo que a corrupção foi erradicada do Congresso.

E eu falei de corrupção não por coincidência, mas porque essa nossa falsidade diária, essa aparência que mantemos na sociedade, nada mais é do que corrupção também. Diariamente não estamos praticando a roubalheira tradicional que existe nos corredores do poder, mas corrompemos algo, ao meu ver, ainda mais precioso: corrompemos valores.

Deixamos de lado qualquer sentimento de moral, de respeito, e porque não dizer de humanidade. Vivemos e nos tratamos como robôs, autômatos programados para dizer "Bom dia. Como você está? -Eu estou bem. E você?". Isto é ridículo, a sociedade age ridiculamente mas há quem se ache "chique" vivendo assim. É por isso, que mesmo simpatizando com alguns, esses velhos clichês me irritam e eu os evito.

Por isso, para os caríssimos - anônimos ou não - que perdem tempo lendo minhas balbucias, sem o velho clichê de feliz Natal. Mas a gratidão por todos os elogios que recebi ao longo do ano - sinceros ou não - e a garantia de que próximo ano continuarei por aqui, balbuciando bobagens que poucos leem e menos ainda refletem.


Abraço. Boa leitura.

5 de agosto de 2010

Planos, planos, planos...

O mundo é mesmo um moinho, uma engrenagem de torre de relógio, algo incrivelmente fantástico e que funciona, porém...

Não importa o quanto sejamos capazes de planejar, de nada vale se não pudermos agir. De repente, vai chegar uma hora que vamos chegar na frente do espelho e perceber que as coisas estão erradas, e que não adianta tentar consertar o relógio quebrado, ele não voltará a funcionar.

E sabe o que acontece, é justamente parados diante do espelho numa noite qualquer que descobrimos que alguns planos não passam de idiotices. Em qualquer sentido que isso possa tomar, planos de beber num domingo de férias com os amigos de infância, planos de escrever um livro, planos de visitá-la no seu aniversário...

Planos, planos, planos...

Olhando ao redor, olhando bem, a verdade é que só vale a fé que cada um deposita em si mesmo, e ponto. Não duvido das pessoas e se acontecer algo que me deixe triste, não enxergo maldade, tem explicação. Algumas vezes não me importa a tal explicação, não vai mudar nada. Outras...

Agora me falta um vinho forte e um samba na vitrola, amanhã talvez me falte o vinho novamente, mas o samba se faltar eu invento.


Abraço. Boa leitura.

13 de julho de 2010

Causa Mortis: Dunga

Futebol razoável, aos trancos e barrancos, deslumbres momentâneos da verdadeira identidade do futebol brasileiro. O que para muitos foi motivo de decepção, de lágrimas, de tristeza, para mim foi apenas a confirmação de um trabalho nebuloso, vencedor da Copa América, Copa das Confederações e classificado em primeiro lugar nas Eliminatórias Sulamericanas para a Copa do Mundo.

Cheio de resultados positivos em 60 jogos, mas sempre resultados provenientes não da majestade a que faz jus o futebol brasileiro, mas do destaque individual de alguns jogadores. Ora Adriano, ora Kaká, ora Robinho, ora Luiz Fabiano, mas nunca um destaque coletivo com dedo do técnico(?). Esse é o retrato da "era Dunga".

A deprimente derrota para a Holanda e o despreparo emocional apresentado pela seleção brasileira são o espelho de um pseudo-técnico que em quatro anos passou de técnico aspirante e inexperiente a oficial nazista, autoritário e arrogante. Foi orgulhoso e barrou Ronaldinho Gaúcho e Paulo Henrique Ganso. Levou Kléberson e Júlio Baptista para que eles assistissem os jogos da beira do gramado ao invés de ver pela televisão.

Dunga não foi linha dura, como se diz no futebol, ele foi além disso. Agrediu a imprensa, inclusive a toda-poderosa Globo. E nem a Globo, enquanto maior órgão de comunicação do país e carregada de mazelas merece ser agredida. O Brasil foi à Copa com formulário de óbito em mãos apenas com a data a preencher, lá estava escrito: "Causa Mortis: Dunga".


Abraço. Boa leitura.

30 de junho de 2010

Às Cinzas de São João

Eis que ele sentou à luz da lua e ao calor das cinzas de uma ex-fogueira de São João e começou a pensar nela. Pela primeira vez teve medo, temia nunca vê-la. Mais que isso, temia que tudo não passasse de sonhos, e sonhos.

Encostou um cigarro numa das cinzas aquecendo-o até que ele começasse a queimar, e fumou para espantar o frio que o abatia mesmo bem próximo do calor das cinzas. O seu pensamento era um só.

Olhou para o céu cheio de estrelas e tentou juntá-las de forma que escrevessem o nome dela, conseguiu. O que lhe arrancou um sorriso tímido, levantou-se e saiu caminhando pela fazenda se distanciando das pessoas que estavam em povorosa por ali comemorando a noite de São João.

Ficou se perguntando onde ela poderia estar, ou o que poderia estar fazendo. Queria que ela também estivesse pensando nele, mas sabia que era uma coincidência que já acontecera antes, teimou consigo e mesmo assim acreditou.


Abraço. Boa leitura.

8 de maio de 2010

Carta

Mais uma daquelas cartas que nunca vão chegar?

Eu sinto sua falta, sinto muito sua falta. Sei lá, a sua presença tem diminuído, não consigo mais te encontrar como antes, as nossas conversas não estão mais como antes, alguma coisa mudou. E não sei o que foi.

Talvez - e eu espero que seja - eu esteja apenas tendo uma impressão errada, ou ainda as nossas obrigações e afazeres estejam nos tomando o tempo demasiadamente. Mas o fato é que eu tenho sentido sua falta continuamente, e como eu sempre te disse, no fundo, isso me incomoda. Eu pensei em sumir várias vezes, pensei em tentar enxergar como mera casualidade, daquelas que vêm e vão como ondas do mar, mas simplesmente não consegui, não consegui passar sequer um minuto pensando assim. Era como se eu estivesse baleado e tentasse remover a bala sem anestesia e sem uma bebida forte para aliviar a dor.

Estou numa fase em que tudo me irrita facilmente, principalmente se esse "tudo" for ligado a não te ter por perto. O seu professor de computação me irrita, aquele carinha que você vem ficando desde o Carnaval me irrita, a minha incapacidade de fazer qualquer coisa pra estar por perto me irrita, e até mesmos as perguntas que eu achei que fossem suas estão me irritando também.

Tenho convivido com isso, mas não tem sido fácil, e acho que ainda vai ficar pior.

Beijos.

Do seu, Miguel.

3 de maio de 2010

Por Onde Andam Minhas Idéias?

Tenho lido tanta bobagem, tanta coisa irrelevante, que acho que estou emburrecendo, estou perdendo o jeito de escrever. Ultimamente só tenho falado de 'amor', de sentimentos - não que tenha feito isso por obrigação, é uma opção, até porque me sinto à vontade falando sobre isso.

Mas sinto certa falta das tiradas de onda, das lições de moral e dos raros tapas na cara que muitas vezes eram direcionados para mim mesmo inclusive. Mas enquanto as coisas não mudam, vou tentar voltar a ler coisas produtivas, ao invés das besteiras que ando lendo.

Nunca pensei que fosse, mas começo a achar que a estupidez é contagiosa.

Abraço. Boa leitura.


P.S.: Espero que tenham gostado do novo visual do blog.

24 de janeiro de 2010

A Longínqua Paróquia de Nossa Senhora da Perpétua Ignorância

Subiam-se e desciam-se mais de uma centena de léguas, por entre serras e florestas, para que enfim fosse possível chegar até a longínqua paróquia de Nossa Senhora da Perpétua Ignorância. Uma pequena cidade paroquiana - porque dizer que era um lugar provinciano seria colocá-lo anos luz de modernidade à frente - nos embrenhados do país da Bruzundanga*.

Havia pois, naquela paróquia tantos motivos para riso quanto fosse possível, ou até mais. Afinal, o mundo é uma tragédia para os que sentem e uma comédia para os que pensam. E era exatamente assim na pequena paróquia. Era cômico observar a santa ignorância dos homens, de todos os tipos, mas todos pseudo. Pseudo-artistas, pseudo-soldados, pseudo-elegantes, pseudo-políticos, pseudo-modestos, e até, pasmem, pseudo-clérigos.

Mas dentre todos os homens dali, havia um, que esse conseguia ser o mais incoveniente de todos. Não pela sua ignorância, mas pela forma que tratava a ignorância alheia, para ele, era sempre cômico. Do seu ponto de vista, os olhares atravessados que recebia, nada mais eram de que o mérito de pensar, algo deveras raro, naquela paróquia submersa em um proselitismo multifacetado e ignóbil.

Ser rotulado como um membro ignorável da pseudo-sociedade paroquiana era algo que o desagradava, mas não por outro motivo, se não porque ignoráveis eram todos os fakes produzidos por aquela high society mesquinha, que teimava e anseiava em ser "chique", a um bom jornalista - profissional incomum pela paróquia - não faltariam gafes para uma coluna social. E não sobrariam restos mortais de sua reputação depois que os urubus sociais a escarniçassem.

Mas o bom, era provocar a pseudo-classe. E zombar de seus olhares esganiçadores e espantados ao ver que, um daqueles que eles taxam ignoráveis, está fazendo algo que, em seu cérebro de noz, só seria possível a um de seus iguais, jamais por um ignorável. E isso, aquele homem, o mais inconveniente de todos sabia bem fazer, só lhe custava ser discreto, pouco aguentava ter que manter-se firme, quando o gosto seria desdenhar.

Mas há um tempo para tudo. Aos membros da pseudo-classe, que o tempo do homem inconveniente nunca chegue.


Abraço. Boa leitura.


*Nota: "Bruzundanga", é uma menção à República dos Estados Unidos da Bruzundanga, país fictício, cenário do livro Os Bruzundangas, de Lima Barreto.

16 de janeiro de 2010

O Viajante

O viajante estava sentindo o cansaço há alguns meses. Afinal, estava nessa jornada há mais de vinte anos. E pouco tinha parado para descansar, sempre carregara consigo um ímpeto que por vezes se misturava com a estupidez. Outras vezes travestia suas vontades com uma ganância digna dos tiranos a quem ele nunca se curvou de fato.

Mas o viajante sempre carregou algo precioso consigo, um segredo precioso, que poucos conheciam, e menos ainda dominavam de fato. Carrega consigo um livro com conhecimentos os mais variados, algo que poderia transformar um homem em um deus se usado da maneira correta. E justamente essa maneira correta custava caro para quem o fizesse, tão caro que o homem relutava em usá-lo.

E muitas vezes acabava pagando preços ainda mais altos. Mas era nisso que acreditava, grandes sacrifícios traziam grandes recompensas. E ele não estava disposto a sacrificar nada importante para ele, e assim acabava sofrendo grandes perdas. O tempo foi passando e ele relutou sempre em sacrificar qualquer coisa, e incrivelmente perdeu tudo.

Afogou-se na tristeza, e por muito tempo não ousou sequer abrir novamente o tal livro. Mas nunca parou de viajar, era isso que nunca lhe seria tirado talvez. Conseguiu ser livre, de fato, mas o custo foi muito alto, muito mais alto que qualquer outro, ele perdeu tudo. Só lhe restou a liberdade.

Não aguentava mais, o cansaço dos últimos meses o afligia por demais. Encostou em uma árvore e descansou por algumas horas. Um descanso há muito desejado, mas talvez considerado desmerecido. Ao acordar, ele enxergou um senhor de roupas esquisitas parado diante dele, sentado, com as pernas cruzadas. Lendo o livro que ele carregara por tanto tempo.

Ao ver o livro, o viajante levantou-se indo na direção do homem, que olhou para ele, e acenou para a bolsa dele. O livro que o homem estava nas mãos era idêntico ao do viajante, mas não era o dele. O velho perguntou desde quando ele carregava o livro, o viajante deu de ombros, o tinha desde sempre. Foi quando o homem simplesmente rasgou o livro que lia, e foi embora.

O viajante gritou chamando-o, o homem parou e olhou pra trás. Pôs o dedo na cabeça e fez um sinal de negativo, em seguida apontou para o coração. O viajante sorriu. Deixou o livro debaixo da árvore, já o havia lido completamente, não precisava mais dele. E começou a caminhar rumo ao horizonte. E o doce viajante atravessou o Universo e foi além do arco-íris.


Abraço. Boa leitura.

21 de dezembro de 2009

0 [Zero]

A música parou
Não há ruído
O copo está vazio
Secou

Os leões encaram
Sem medo
O gatilho emperrou
Gritaram

Sentei no alto mais alto
Com um bandolim quebrado
Tentando adivinhar
A canção a surgir
O Sol se pôs a fugir

Não consegui
E então perguntei:
-Zero.

Abraço. Boa leitura.

27 de novembro de 2009

Solidão a dois(?)

Que esperar das pessoas é, de longe, a melhor forma de decepcionar-se com elas, não há o que discutir. Mas daí a não esperar nada de ninguém, é um pessimismo que nem eu consigo sustentar. Prefiro guardar um pouco de esperança, lá no fundo.

Mas não esperar nada de ninguém - se é que isso é possível -, pode nos mostrar uma outra coisa. Ficar sozinho não é uma condição, estar só não é uma condição, não é algo que nos é imposto. É muito mais que isso, é uma opção, que qualquer um pode fazer em qualquer tempo. Afinal, não esperar nada de ninguém, nada mais é do que escolher ficar sozinho, mesmo rodeado de pessoas.

A grande questão é: será que isso vale a pena? E se vale, até que ponto?

Quem nunca quis distanciar-se do mundo, por qualquer motivo que seja, ir para uma ilha deserta, ou pra algum lugar onde ninguém possa conhecê-lo? A maioria esmagadora das pessoas que já se decepcionaram tiveram essa vontade. A frase clássica é "Eu queria sumir".

Pois eu digo, não suma. Não sumam. Porque em algum momento, por alguma razão, sua ausência será sentida. E pode até ser que não seja pela razão que você deseja, mas sentirão sua falta.

O bêbado que sempre senta na primeira mesa, sente falta daquela linda cantora que o enfeitiçava com a voz e o encantava com o sorriso. O cara que sempre chamava a menina de óculos pra ir ao cinema, sente falta do cinema, mas muito mais da companhia. O chato um pouco atrapalhado que não sabia dançar, sente falta da mulher que ele mal conhecia quando ela disse que estariam juntos para sempre. O escritor falido sente falte daquela jovem que ele prestara atenção uma ou duas vezes pessoalmente, mas que sempre o surpreendia nas salas de bate-papo durante a madrugada.

E aquele garoto que queria mudar o mundo, e agora assiste a tudo em cima do muro, sente falta de sua vontade de mudar o mundo, principalmente porque não sabe mais o que é o mundo.

Abraço. Boa leitura.

14 de novembro de 2009

Sem Destino II

Ele acelereva contra o vento, assim como era apaixonado por Janis - apelido carinhosos da sua velha viola -, amava loucamente a velocidade e a adrenalina de Lucy, sua Harley-Davidson '69. Cortava as ruas da cidade e não se preocupava se guardas iriam aparecer para multá-lo, não seria estranho se ele os conhecesse pelo primeiro nome.

Mas nada adiantava, ele não conseguia tirar da cabeça aquele cheiro, aquela voz, aqueles cabelos, aquela pele, aquele beijo. Ele não queria, e mesmo que quisesse, não conseguiria tirar aquela mulher da sua cabeça por nenhuma razão. Foi um encantamento tão estranho, ele talvez nem a amasse, mas qualquer música que ele ouvisse ou tocasse lhe faziam lembrar dela.

Resolveu ir até o barzinho onde a conhecera.

Era do outro lado da cidade, e àquela hora seria mais rápido cortar alguns caminhos, até por uma questão de segurança. Mas ele preferiu ir pelo caminho usual, não teria feito muita diferença. Ele apenas talvez tivesse chegado em tempo de ver o rapaz da viola sendo agredido por um garoto de 17 anos que não sabia o que era Música Popular Brasileira.

Mesmo com a confusão ainda havia uma certa quantidade de pessoas, que acabaria indo embora já que não tinha mais música. Ele entrou e foi cumprimentar o dono do lugar, com quem ele fizera amizade no outro dia. Pediu uma tequila enquanto ouvia o homem narrar-lhe o acontecido. E observou o desânimo no semblante do homem, ao ouvir que iria fechar por não ter mais música.

Tomou mais uma tequila, e viu seu dinheiro ser recusado quando tentou pagá-las. Sorriu para o dono e então voltou para a moto. Frustrado. É fato, esperava encontrá-la por aí. Pouco antes de subir na moto deu uma olhada para Janis, e olhou de volta para o bar. Pensou, e pensou. Pegou sua viola e voltou.

A garoto do som já ia começar a desligar os equipamentos, quando ele assobiou e acenou para que não desligasse ainda. Entrou e perguntou ao dono se podia tocar algumas músicas, o homem ficou surpreso e feliz ao mesmo tempo. E com um sorriso no rosto agradeceu muito. Ele então foi sentar no banquinho, enquanto tirava Janis de sua case.

Alguns olhares espantados com a beleza daquela viola, um desenho de olhos em um fundo azul metálico. E o braço carregava o desenho de uma serpente. Ligou os cabos, viu se ela estava afinadinha, e ensaiou umas notas de um forró daqueles ele achava ridículo, só pra ver se havia chances de alguém ali compreender o que ele ia tocar.

Nas mesas da frente, apenas um olhar de reprovação, de um cara que certamente sabia muito mais que ele sobre música. Lá no fundo alguns rapazes e moças já foram se levantando como quem ia começar a dançar. Alguns risos em outras mesas. O dono ficou meio sem entender. E nenhuma outra manisfestação relevante.

Cumprimentou a todos, não disse como se chamava, apenas apresentou Janis, e disse que ela era a fonte da música, ele era apenas um meio para o fim. Desejou que apreciassem a música e enrolou um pouco mais enquanto terminava o cigarro. Antes de começar a tocar. Terminou o cigarro e então começou a dedilhar um de seus blues preferidos.

E mais uma vez observou as reações, de todos ali, o homem próximo estava muito mais do que surpreso com sua música, o pessoal do fundo estava meio sem entender. Em algumas mesas as pessoas batiam palmas, mesmo parecendo que não sabiam o que tocava. E o dono do bar aparentemente havia voltado ao trabalho.

Parou mais uma vez, pediu uma tequila. E para sua surpresa, o dono do bar já vinha trazendo-lhe uma tequila, além de outra coisa na bandeja. E só quando chegou mais perto ele pode ver o que era, uma gaita. O dono sorriu, e ele bebeu a tequila rapidamente. Pegou a gaita e começou a soprar-lhe sua alma.

Não sabia o que soprava ao certo, era algo novo. Mas sabia o que viria quando começasse a tocar. Guardou a gaita. E começou a dedilhar, dedilhando com mais paixão que em qualquer outro tempo de sua vida. Começou a cantar os versos que compusera mais cedo em sua casa. A paixão começou a contagiar a todos.

E tocou a noite inteira. E ninguém saia de lá. E todos pediam mais uma quando ele terminava uma música. E ele já tinha perdido as contas de quantas tequilas havia tomado. E o dia amanhecia.


Abraço. Boa Leitura.