3 de setembro de 2011
Sorrisos
Era uma noite como tantas outras, e como sempre ele sentia-se muito feliz com ela por perto, não parava de pensar nela, ainda que ela estivesse ali a uma distância que na prática não existia. De repente ela levantou, foi até ele, lhe deu um abraço e um beijo no pescoço. Ele sorriu intensamente.
Um outro abraço, um beijo. E ele sempre encantado com o sorriso dela. Nunca conseguira entender o porque de tamanho encanto, mas isso pouco importava. Nada mais importava quando estavam juntos. Ela voltou pra poltrona.
Ele foi até a janela, ficou olhando o céu estrelado, mas sem lua. E mesmo com ela ali, do outro lado da sala, pelo simples fato de não estar a vendo, sentiu saudades. Foi então que, num estalo, percebeu porque mesmo estando com ela não parava de pensar nela: ele a amava intensa e imensamente.
Abraço. Boa leitura.
1 de setembro de 2011
Saudade Inexplicável
Ele terminou antes dela. Observou-a sem prestar atenção na comida, mas em cada traço do rosto dela, para que num outro dia, quando ela estivesse distante, ele não tivesse nenhuma chance de esquecer o quanto ela era encantadora e pudesse ter sempre certeza de que ela teria cada detalhe encantador quando habitasse em seus sonhos.
Ela ficava bastante irritada com ele a encarando enquanto ela comia, parou por umas duas ou três vezes, até que começou a ignorar, ainda que de vez em quando olhasse pra ele e os olhares cruzados resultassem em uma sensação de encanto e temor para ambos.
Fazia muito tempo que ele não se encantava dessa forma por alguém, fazia muito tempo que ele, inclusive, deixara de acreditar que isso podia existir de verdade. E ainda tinha um pé atrás, mas não tinha dúvidas de que se o amor existisse de verdade, então ele a amava. Amava doce e profundamente.
Passaram o resto da noite trocando olhares, palavras e sorrisos, e isso foi tudo. Na manhã seguinte só restou aos dois uma saudade sem explicação.
Abraço. Boa leitura.
21 de julho de 2011
Velha Nova Página...
Os dias haviam virado semanas e, em breve, virariam meses. Ele sabia que ela tinha conseguido um bom emprego na Europa e em breve partiria, para voltar sabe-se lá quando. E ele pensou, e ponderou, mas não conseguia mover uma palhar sequer. Ele precisava de algo mais para correr, de algo que nunca tivera certeza se ela lhe ofereceria.
No mais íntimo de sua saudade, o que ele queria mesmo era que os sonhos de todas as noites se tornassem reais. Ele, ela, dois sorrisos e um conto de fadas. Suspirava pensando nisso e desanimava em seguida, a vida real era muito mais dura.
Levantou da poltrona e foi até a cozinha buscar mais café. Na volta o vento fez a janela da sala bater forte e ele teve um pequeno susto, derramando café no chão. Normalmente ele deixaria aquela mancha de café ali por dias, até que resolvesse chamar a diarista. Mas, por uma ironia qualquer, foi até a cozinha, molhou um pano e foi limpar a sujeira.
Quando limpava o chão ele viu o reflexo de alguma coisa sob a poltrona, esticou-se e não alcançou. Tirou a poltrona do lugar e encontrou um porta-retratos, era uma foto sua com Luiza. Uma foto boba, que eles tiraram no último dia do curso de fotografias que fizeram juntos, estavam tão felizes, tão sorridentes.
A lembrança boa lhe arrancou uma lágrima, não de tristeza. Sorriu e resolveu arrumar todo o apartamento.
Abraço. Boa leitura.
Quem quiser mais contos de Miguel e Luiza clique aqui.
5 de julho de 2011
Lembranças, Disfarces e Reviravoltas... - Minissérie #2
Como já era de se esperar, ela não atendeu. Não estava dormindo, mas queria saber até onde a inquietação do rapaz o levaria. Anita já sabia onde estava pisando, e não foi à toa que às 10h recebeu uma mensagem de Luiz, perguntando se poderia vê-la novamente. Ela respondeu que sim e completou dizendo que sempre almoçava num restaurante perto da praia e que ele reconheceria o lugar.
Fazia muito tempo que não fazia isso, mas Luiz queria impressioná-la. Depois de muito tempo sentiu necessidades de impressionar alguém. Pegou a velha motocicleta e saiu cortando as ruas da cidade até a praia, contava os segundos para a hora marcada. Quando foi se aproximando da praia, um flash veio em sua memória, ele lembrara exatamente de Anita quando estudaram juntos. Mas iria aguardar o momento ideal para revelar isso.
Luiz chegou ao restaurante na hora marcada e ficou esperando Anita por uns 30 minutos ainda. Lá vem ela. Encantadora como sempre, senta-se a frente do barman e ele sorri dizendo que ela ainda não perdera o hábito de chegar atrasada aos lugares. Ela desconversa.
Ele não conseguia comer, deu umas duas garfadas apenas na comida, fitava descaradamente os olhos verdes de Anita. Ao terminarem ele a chamou para ir caminhar na praia. Ela relutou um pouco, confirmando o que ele já tinha certeza, mas acabou aceitando o convite.
Anita tentou aguardar o momento certo para aquela pergunta, mas percebeu que dependendo de Luiz o momento certo nunca chegaria, foi quando ela resolveu cortar o assunto pela metade e perguntar ao rapaz o que levou um homem que carrega uma aliança dourada na mão esquerda sair ao encontro de uma antiga colega de classe, que, sabiam os dois, não era qualquer colega.
- Foi difícil reconhecê-la. Eu achei que a parte da amiga de colegial era apenas um pretexto para flertar, mas que de certa forma me atraiu. Só quando vinha para a praia foi que me dei conta. Eu agora sei como foi que a achei familiar, Diana. Foi pelo seu sorriso, ainda é inconfundível. Mesmo com o cabelo pintado e as lentes de contato que nunca lhe foram peculiares. Mas e você porque me procurou depois de tanto tempo? Mudou de ideia ou quer apenas mais uma? – falou secamente demonstrando irritação pelo teatro que a moça tinha feito.
- Você sabe que eu não mudo de idéia, mas se eu tivesse mudado o que aconteceria? Afinal, você resolveu mesmo casar! Finalmente encontrou alguém que aceitasse viver a mesma coisa até a morte – falou em tom de deboche, o que irritou mais ainda o rapaz. – Talvez eu tenha ficado com saudade de alguma coisa em particular.
- Se foi apenas saudade o que você sentiu, acho que ambos perdemos tempo vindo aqui. É melhor irmos embora – falou o rapaz sinalizando dar as costas, mas rapidamente sendo interrompido por Diana agarrando sua mão. – O que mais te trouxe aqui Diana?
Ainda continua...
27 de junho de 2011
Lembranças, Disfarces e Reviravoltas... - Minissérie #1
Entrou no vestiário com a imagem da ruiva na cabeça e torcendo para que tivesse a oportunidade de atendê-la. Vestiu-se rapidamente e correu até o balcão. A moça, indecisa, ainda não havia escolhido o que beber e foi aí que Luiz viu a oportunidade, sugerindo a ela o drink da casa. Ela sorriu, encarou o barman e disse que "podia ser", mas, antes que ele saísse, ela completou com uma frase que o deixou mais intrigado:
- Conheço você!
Ele sorriu ao ter a confirmação da impressão que tivera, mas de imediato viu dois problemas: não sabia de onde e nem sabia o nome dela. Foi então que mais uma vez a moça foi incisiva, quase como se estivesse lendo a mente dele:
- Anita, nós estudamos juntos no colegial. Você se chama Luiz não é?
- É me chamo Luiz, tinha tido impressão de conhecê-la. Só não me lembrava de onde. Mas como você me reconheceu? Eu mudei muito desde os tempos de moleque.
- Eu não te reconheci de agora, tenho vindo muito aqui ultimamente. Foi numa dessas noites que tive a certeza!
- Mas isso ainda não responde a parte do “como você me reconheceu”, como teve “a certeza”? – falou soltando um riso malicioso.
- Existem pessoas que a gente vai reconhecer pelo resto da vida.
Ele se virou para atender outra pessoa, quase que ignorando o que a bela moça acabara de dizer. Ela já ia lhe dizer umas boas verdades quando viu passando pelo balcão o gerente da boate. Enquanto fazia o drink, olhou para ela e mexeu os lábios torcendo que ela fosse boa em leitura labial. Ela entendeu, com sorte é verdade, o que ele dissera:
- Começo a achar que você está flertando descaradamente comigo.
Aproveitando o momento, Anita abaixou a cabeça, abriu a bolsa, tirou a quantia certa para pagar o drink e já ia se retirando quando sacou da bolsa uma caneta que usou para escrever em uma das cédulas o seu telefone.
Ele pegou o dinheiro e guardou no bolso, enquanto acenou para o colega no caixa, passando a mensagem que a bebida da moça era por conta dele. Depois que a moça partiu foi como se cada minuto durasse uma hora e ele não via a hora de ligar para ela, estava realmente intrigado. Passava um pouco das cinco da manhã quando ele foi liberado, imediatamente ligou para a moça.
To be continued...
Nota dos Autores: o texto é uma parceria - do tipo "cada um escreve um pedaço" - entre Fernanda e eu (Fahad). E a continuação é por conta dela postar, já está escrita, ou quase, só falta ela escrever o fim, portanto, se faltar o fim não é culpa minha (risos).
13 de junho de 2011
Num Desses Encontros Casuais
E ela veio em sua direção, sentou-se ao seu lado e começaram a conversar como se fizesse mais de meio século que se conhecessem. E a conversa se estendeu por horas e horas, sorriram e choraram, discutiram em um momento e ali mesmo fizeram as pazes.
Chegava a hora do restaurante fechar as portas, pagaram as contas. Cada um pagou a sua. Mas saíram juntos - e por juntos leia-se "lado a lado" -, e caminharam assim até o estacionamento. Lá conversaram um pouco e decidiram tomar café-da-manhã juntos. Cada insistindo para que o outro fosse em seu carro.
Saíram em carros separados. Por um instante era como se um seguisse o outro. Ela tentou ligar para ele mas o telefone estava ocupado, e ele tentou ligar para ela, mas o telefone também estava ocupado. Pararam para o café-da-manhã numa padaria perto da igreja. Desceram e perguntaram simultaneamente: "Com quem você estava falando?"
Após isso olharam feio um pro outro, não acreditavam no que ouviam. Discutiram, e dessa vez sem pazes. A fome passou. Entraram em seus carros e partiram. Sem um beijo sequer.
Ele acordou já quase de noite, com muita sede. Foi beber um copo de água na cozinha. Não sabia se tinha sido apenas um sonho, ou se tudo havia acontecido. Foi para a faculdade, e lá cruzou com aquela mulher, ela parecia não reconhecê-lo, e ele fingiu nunca tê-la visto antes.
Ela acordou pouco antes do almoço, foi à cozinha e fez a própria comida. Comeu, ainda com aquele cara indigesto na lembrança. À noite foi à uma entrevista de trabalho numa universidade, e por lá cruzou com aquele cara. Ele a olhou estranho e ela pensou: "Cafajeste!"
30 de março de 2011
Apenas Saudade
Eu fiquei procurando um sorriso, enquanto a paisagem quase indistinta passava pela janela do ônibus naquela noite de céu estrelado mas de lua ausente. Eu procurava um sorriso que não encontraria ali, mais que isso, eu procurava um sorriso inalcançável.
A ligação recebida horas antes de cair na estrada me trouxerá muita alegria, ouvir aquela voz doce ao telefone me remetera a lembranças de um tempo bom, um tempo que não mais voltaria. E ainda que fosse apenas pra agradecer a devolução dos discos velhos dos Mutantes.
Como sempre, eu alonguei a conversa para rápidoslongos trinta minutos. Com o intuito exclusivo de ouvir sua voz. E após desligar, retornei a ligação pra desejar um bom dia, e ouví-la novamente. Mas ficou me faltando o seu sorriso.
O sorriso de nossos abraços apertados, dos cigarros compartilhados, do vinho barato comprado no buteco da esquina. O sorriso que você me dava quando eu chegava naquela casa que tinha sua cor, a cor da sua alegria. Esse sorriso me falta, me faltará sempre. Só sobra a saudade e, por sorte, algumas migalhas de pão.
Talvez você apague esse e-mail antes de ler, talvez nunca o leia, ou simplesmente leia e ignore. Ainda assim, até logo, mas não adeus.
Em silêncio após reler o que ele tinha escrito, Caroline deitou-se ao lado de André, fechou os olhos e dormiu.
Abraço. Boa leitura.
25 de março de 2011
Concerto
Ele atentava para cada detalhe da moça ao seu lado, do pouco mais delicado movimento do cabelo até uma suave ansiedade no bater dos pés, passando por suaves piscar de olhos e alguns risos recatados observando a orquestra. Mas eram os olhos negros que o prendiam, ainda que de forma esquiva não cansava de tentar fitá-los.
Por alguns instantes a música da orquestra era inaudível, os traços da moça pareciam servir como mãos tapando seus ouvidos. E mais, ele por vezes desejou sentir o toque da moça, a maciez de sua pele, chegou a ter a ligeira sensação de ter hesitado em tocá-la. E ele queria tê-lo feito, ali enquanto a orquestra começava as novidades do concerto.
Se conteve, como forma de se proteger, é fato, mas os olhares diferentes que lançara naquela noite certamente o incomodariam em outras noites. Na saída do teatro, após o concerto, trocou algumas palavras com Sofia e, finalmente, a tocoou, despediu-se com um abraço que lhe trouxe ainda mais força à imaginação, o perfume dela era quase tão incrível quanto o olhar negro.
Abraço. Boa leitura.
Nota: esse conto foi manuscrito, escrevi mais cedo com uma caneta e um papel em branco.
2 de janeiro de 2011
Microconto #9 e #10
Os seus braços sobre os dela, inclinou a boca até próximo do ouvido e sussurrou baixinho:
- Eu te amo!
Não tão breve
Os seus braços sobre os dele, inclinou a boca até próximo do ouvido e sussurrou baixinho:
- Eu não sei como te dizer, é tão difícil para mim, dizer essas palavras é algo que muitas vezes exige tanto de mim, muitas vezes preciso buscar forças de onde não tenho para poder dizer isso pra alguém, mas eu tenho certeza de que estou pronta para lhe dizer isso, estou plenamente confiante de que dizer essas palavras para você não me fará mal, sei que não me arrependerei de buscar forças para lhe dizer isso, confio plenamente que você não me decepcionará por isso, a única coisa que eu quero lhe dizer agora, a única coisa que eu poderei lhe dizer sempre com toda certeza, sem dúvida nenhuma, é: eu te amo.
Abraço. Boa leitura.
31 de dezembro de 2010
Repostando...
Mas o príncipe Leopold, herdeiro do Império Austro-Hungárom está noivo de Sophie, e fará de tudo para casar com ela e realizar seus planos de dar um golpe no pai. A trama do filme é muito bem estruturada, e o final é surpreendente. Mas eu não sou fã de spoillers, vejam o filme, vale a pena. No decorrer do filme, usando suas ilusões Eisenheim passa a ser perseguido pelo chefe de polícia.
Já nos momentos decisivos do filme, quando questionado pelo chefe de polícia por que insistia em tais atitudes, Eisenheim limitou-se a responder: "É apenas para estar com ela...". Apenas mais tarde o chefe de polícia entenderia que o ilusionista estava apenas fazendo mais um truque, um truque "vivo". Mas o interessante nessa parte, é a fala do ilusionista, para estar com ela...
E sabem, se pararmos para pensar um pouco as vezes fazemos isso. As vezes fazemos algo, um sacrifício ou não, apenas para nos sentirmos perto de alguém, ou para estarmos perto literalmente. Sempre movidos por algum sentimento forte, seja uma paixão ou uma grande amizade. O fato é que quando situações assim acontecem, é porque existem pessoas com as quais nos importamos e nos preocupamos, e pessoas que de uma forma ou de outra amamos de verdade.
Sabem, eu já parei uma vez, já deixei tudo que eu estava fazendo para me sentir perto de alguém muito importante pra mim, e não me arrependo. Porque quando sentimos essa necessidade de largar tudo, fazê-lo nos traz tranquilidade, calmaria e, acima de tudo, nos deixa felizes. E é isso que importa, ser feliz. É curiosa uma observação que Eisenheim faz no começo do filme: "Nunca tivemos a sensação de que um lindo momento pareceu passar tão rápido e queriam que pudéssemos faze-lo durar mais? Ou ver que o tempo não passa em um dia tedioso e queriam que pudéssemos faze-lo passar mais rápido?"
Abraço. Boa leitura.
N.A.: É a primeira vez que posto algo que já postei antes.
Outra N.A.: A parte em itálico após a quebra do texto foi retirada da postagem original.
18 de dezembro de 2010
Cervejas, Garoa e Uma Violeta
Naquela noite, sem qualquer razão aparente, não seguiu sua rotina. Ao invés de um tradicional vinho, abriu uma cerveja. E depois outras tantas. Caminhou pelo jardim com a garrafa na mão, sem se incomodar com a leve garoa que as nuvens despejavam com suavidade.
Encontrou, perdida no jardim, uma violeta. Escondida o bastante para ele saber que estava ali desde muito tempo, porque sequer lembrava quando fora a última vez que o jardineiro colocar violetas no jardim. Com cuidado, arrancou-a do chão e a levou para a estufa. Lá procurou um vaso e deparou-se com mais uma lembrança dela. Um vaso quebrado, desde o dia que ela partira.
Fez com que ele lembrasse o porque de sua partida. E pra aquela saudade que o infestava, diria que faria ela se apaixonar por ele todos os dias se isso fosse preciso. Uma lágrima, um sorriso tímido e alegre, uma batida mais forte e mais rápida no coração e um curioso desejo de mais três beijos, foi essa mistura de sensações que sucederam-se após a lembrança.
Abraço. Boa leitura.
6 de dezembro de 2010
Perfume...
Fitava o branco teto do quarto e não conseguia desviar o pensamento para nada mais. Eram incontáveis os momentos repletos de sentimentos agradáveis, e naquele instante todos suprimidos por um único recuo. Maria lhe pedira um tempo para pensar, mais que isso, colocara em xeque o que sentia por João. Ele entendia, ela precisava daquela certeza, mas ele não suportava tanta agonia que o tomava.
Pior que isso, ele achava que não haveria amanhã. Esse tal tempo, parecia ser definitivo. Estavam se perdendo. Ele sabia que ela tinha um gênio forte, não adiantaria insistir, talvez até piorasse. Estava impotente. E no quarto vazio, com as mãos no rosto, sentia o cheiro do perfume que lhe trazia lembranças e sorrisos, por ora repletos de saudade e vagos de alegria.
Era esse perfume, esse aroma a única presença dela, o único consolo...
Abraço. Boa leitura.
3 de novembro de 2010
Saudade, Saudade
Pense numa saudade danada
Numa saudade sem rima
Que sinto da minha menina
A quem eu chamo de amada
Saudade vivida, sentida
Uma canção cheia de melodia
Canção de amor e de alegria
Cantada na hora da partida
E o trem se foi veloz
Quase rasgando o vento
Ligeiro como pensamento
Só deixou saudade em nós
27 de agosto de 2010
Perfeita Simetria
Ele sabia que o devaneio que a irritara e, por certo, a magoara também, não havia sido nada senão a gota d'água que fez o pote transbordar. Mas e então, o que veio antes ao ponto de encher o pote? Ele não sabia.
Ele não podia achar que Luiza era um ex-amor, porque de fato e pesarosamente nunca viveram um amor juntos, foram parceiros. Mas ele a amava, cada gesto dela, cada sorriso incrivelmente incrível, cada palavra tão doce quanto algodão doce, cada uma das dúzias de fotos que ela tinha espalhadas em murais em seu apartamento.
Ele amava cada detalhe de Luiza, e a dor que o afligia era deveras forte em saber que os anos se passariam e ela ia acabar esquecendo dele - ou não. Não suportava imaginá-la casada com outro, com uma casa enorme e um casal de filhos, viajando por cada cidadezinha e outras tantas cidades grandes país afora.
Esses planos eram seus, eles haviam sonhado juntos. Jamais iria acusá-la de traição, ela estava em busca de realizar os sonhos de quando era jovem. E os sonhos dele, agora, eram repletos de aflição porque ele a queria de volta.
Abraço. Boa leitura.
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais"
(Perfeita Simetria - Engenheiros do Hawaii)
12 de agosto de 2010
Você estava ao meu lado, não era um daqueles clichês hollywoodianos, nem era um daqueles casamentos politicamente corretos. Era algo muito parecido conosco, pelo menos eu acho. Seu sorriso me aparecia mais fantástico, para não dizer incrível, do que em qualquer outra vez que eu tenha o visto, ou mesmo sonhado com ele. Aì me bateu saudade, e depois culpa.
É, culpa. Uma culpa irracional, naquela noite há 5 anos, quando você me deixou sem sequer se despedir, e nos meses seguintes em que não respondia minhas cartas, me senti culpado, mas era algo irracional eu não sabia porque sentia tal culpa.
Um sonho, uma pena...
Abraço. Boa leitura.
1 de junho de 2010
De Vez em Sempre
No circo
Na multidão
Sem rumo
Sem direção
Me sobram partidos
Altos e baixos
E bate um vento
No relento
Na solidão
E nela me lembro
Do sorriso
Do riso
Incrivelmente
Incrível
Seu
Para mim
Espero
Desejo
Um beijo
Abraço. Boa leitura.
P.S.: Há quanto tempo eu não escrevia uma poesia aqui? Acho que foi dia 21 de Dezembro. E foi pra ela também.
12 de maio de 2010
E Eu Escrevo Pra Você
No silêncio. Eu ouço. O seu grito. Que carrega. E aumenta. A saudade. Vontade. Não me falta. Eu quero. Os planos. Que tinhamos. E espero. Ainda termos. Volta.
Na esquina. Eu vejo. O carteiro. Que me traz. Eu espero. A carta. Vinda de longe. Num dia. Escuro. O céu. Que chove. E lava. A saudade. Volta.
Na verdade. Eu tenho. O segredo. Que fiz. Escondido. Aqui. Veja. Não duvide. Eu digo. O que digo. Que sinto. E sinto. As aves. Voando.
Abraço. Boa leitura.
10 de maio de 2010
Mas Ele Ainda Sonha...
Acendeu um cigarro, chamou o garçom e pediu pra ouvir sua banda favorita. Bebeu o primeiro copo como quem acabara de encontrar um copo de água após um longo tempo no deserto. Cada música que ouvia o fazia lembrar dela. Especialmente do sorriso incrivelmente incrível.
Nunca se sentiu tão ansioso para encontrar alguém, mas os encontros e desencontros da vida já estavam o deixando irritado. Mais ainda por saber que, diferente do que haviam planejando e por um pequeno detalhe não acontecera, não sabia quando a encontraria novamente.
Ele nunca duvidou, por um segundo sequer, das palavras de Luiza. E enchia os olhos de lágrimas de alegria sempre que conversavam pelo telefone, ou nas raras vezes que ela respondia uma de suas cartas.
Mas a noite anterior foi diferente.
Eles conversaram um pouco, mas muito. Já era tarde, quase dia, quando eles terminaram de conversar. E no fim, ele dizia o que não queria dizer, mantinha-se firme para que ela não percebesse a voz trêmula no telefone, mas derramava lágrimas incontáveis.
Tinha certeza que estava agindo corretamente, não tinha o direito de exigir nada dela, no máximo um sorriso de vez em quando. Mas ele não dormiu naquela noite, chorou o quanto pode, e depois sentou na janela do décimo terceiro andar, bebendo e acompanhado do velho companheiro de filtro vermelho.
Abraço. Boa leitura.
8 de maio de 2010
Carta
Eu sinto sua falta, sinto muito sua falta. Sei lá, a sua presença tem diminuído, não consigo mais te encontrar como antes, as nossas conversas não estão mais como antes, alguma coisa mudou. E não sei o que foi.
Talvez - e eu espero que seja - eu esteja apenas tendo uma impressão errada, ou ainda as nossas obrigações e afazeres estejam nos tomando o tempo demasiadamente. Mas o fato é que eu tenho sentido sua falta continuamente, e como eu sempre te disse, no fundo, isso me incomoda. Eu pensei em sumir várias vezes, pensei em tentar enxergar como mera casualidade, daquelas que vêm e vão como ondas do mar, mas simplesmente não consegui, não consegui passar sequer um minuto pensando assim. Era como se eu estivesse baleado e tentasse remover a bala sem anestesia e sem uma bebida forte para aliviar a dor.
Estou numa fase em que tudo me irrita facilmente, principalmente se esse "tudo" for ligado a não te ter por perto. O seu professor de computação me irrita, aquele carinha que você vem ficando desde o Carnaval me irrita, a minha incapacidade de fazer qualquer coisa pra estar por perto me irrita, e até mesmos as perguntas que eu achei que fossem suas estão me irritando também.
Tenho convivido com isso, mas não tem sido fácil, e acho que ainda vai ficar pior.
Beijos.
Do seu, Miguel.
27 de abril de 2010
Memórias Sem Fim
Ela disse-lhe que dali teria que ir até uma cidade próxima, tratar de alguns assuntos da empresa, e só chegaria um pouco tarde da noite. Ele a beijou, despediu-se e foi até o velho bar no subúrbio, que ele frequentava há quase vinte anos.
Lá, cumprimentou a todos, e antes que pedisse já fora servido com a bebida que mais lhe fazia bem: uísque, puro e sem gelo. Passou um bom tempo lá, jogando conversa fora e obsevando o movimento da rua, repleta de pequenos bares, grosseiramente parecidos com os famos pubs londrinos. Partiu só ao cair da noite.
Em casa, tomou mais alguns goles de uísque, até que a bebida começou a lhe parecer amarga, já sabia que era hora de parar. Resolveu procurar alguma outra coisa pra fazer. Por insinto ligou a TV. Ironicamente passava um filme que lhe trazia muitas lembranças, da época de sua juventude, boas e ruins.
Sentiu um aperto no peito, e desligou a TV. Mas já era tarde, mais uma vez péssimas lembranças o afligiram. Foi até a biblioteca, abriu o cofre e pegou um anel que ele havia comprado de um bêbado há muitos anos atrás.
Um anel, que não tinha nenhum valor material, era um anel de brilhante, mas faltava a pedra preciosa, o cristal. E na parte interior do anel uma inscrição que ele mandara fazer: "Viverei por toda minha vida como esse anel, que não tem o seu cristal".
Passou algum tempo chorando, até que começou a se recompor pois logo sua esposa chegaria. E ela não poderia vê-lo naquelas condições. Tomou um banho frio, e deitou-se esperando por ela.
Abraço. Boa leitura.