13 de julho de 2009

Lembranças...

Há tempos sem escrever algo, resolvi soltar algumas linhas soltas, ou nem tanto. Alguém por aí disse que "lembrar é fácil para quem tem memória, esquecer porém é difícil para quem tem coração", mas será verdade? Será fácil lembrar de quem se ama e não se está presente? Será fácil lembrar de quem te fez bem e partiu? Será difícil esquecer, ou pelo menos desejar isso, das coisas que nos fazem mal? Talvez até seja mais difícil esquecer algo, alguém ou alguma coisa, do que lembrar-se, mas daí a dizer-se que é fácil lembrar, não é.

É fácil lembrar de um número de telefone, mas não é fácil lembrar que ela disse que ligaria e não ligou. É fácil lembrar de bons momentos juntos, mas não é fácil lembrar dos difíceis. É difícil esquecer desses tais momentos difíceis, mas não é difícil esquecer das razões que os tornaram difíceis. É difícil esquecer que prometemos algo, mas não é difícil esquecer que não cumprimos.

São só exemplos da complexidade da lembrança.

As lembranças, boas ou ruins, no fundo servem como linha que costura nossa identidade. Lembranças boas nos deixarão bem, e podem produzir novas lembranças boas. Já as lembranças ruins provocam o efeito inverso. No meio disso tudo tem algo curioso, é mais fácil lembrar de momentos ruins do que de momentos bons, isso porque a natureza humana é estranhamente misteriosa. Shakespeare disse que um dia você "descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas alguns segundos para destruí-la; e que você em um instante poderá fazer coisas das quais se arrependerá pelo resto da vida". E talvez essa seja uma possível resposta que pode explicar porque é mais fácil lembrarmos de coisas ruins, porque elas nos marcam, nos fazem nos arrepender, nos fazem desconfiar, enquanto as coisas boas das quais não nos arrependemos, as quais nos fazem aprender a confiar vão passado, muitas vezes despercebidas.

Por hoje é só, será que a revisora ainda lembra de passar por aqui?


Revisão: Cláudia Brito
Lembro sim, meu bem. Texto revisado.


Lembra demais. Se eu num tivesse falado.

24 de março de 2009

Feliz Aniversário

"Feliz aniversário"", "Parabéns!", "Tudo de bom pra você!", estas e outras frases feitas formam uma vasta lista de congratulações comuns quando apagamos uma velinha a mais em nosso bolo da vida. Eu odeio clichês, mas admito que eles são necessários, mais que isso são imprescindíveis, já imaginou o que seria se não existisse, ou não se dissesse: "eu te amo"?

Apagar velas, completar mais um ano de vida. Que relação há nisso? Afinal mais um ano de vida é uma nova esperança, em um novo tempo, em alguma mudança, mas apagar velas traz escuridão. Não seria isso um pouco contraditório? Talvez. Mas observando por outra ótica, podemos relacionar o apagar das velas ao fim do dia, quando a noite vem e escurece os céus para que eles possam, no dia seguinte, brilhar novamente.

Eu queria escrever mais sobre isso, mas não encontro palavras, ou talvez não as esteja procurando no lugar correto. Ou ainda não as queira procurar. E o presente que sobra é o sorriso, singelo e feliz, outrora meu, agora dos outros que o viram e sentiram.

Pra quem faz aniversário hoje, meus parabéns (mas sem aqueles clichês todos). Só queria dizer que a vida é curta e que vale a pena vivê-la intensamente.

25 de fevereiro de 2009

Ei! Cadê você?!

A maioria das crianças não veem a hora de crescer.. de se tornar "gente grande". Pois é! Eu também era assim. Não via a hora de ser independente, de poder ir e vir na hora que eu quisesse, fazer o que eu bem entendesse. E, preciso confessar, em alguns aspectos ainda sou assim. Espero loucamente pelos meus 18 anos, passar no vestibular, ir morar em outra cidade, longe dos cuidados da minha família, tendo a "liberdade" que eu tanto sonho. Mas hoje me flagrei muio triste, percebi que eu não estava ansiosa para o inicio das aulas (coisa absurdamente estranha), percebi que no ano passado eu não tinha esperado tanto pelo natal, nem pelo ano novo, nem fiz minha lista de metas e, no fundo, eu não criei aquela ilusão de que 2009 seria um ano melhor, não senti a sensação de recomeço, não senti vontade de mudar. É, isso definitivamente mexeu muito comigo. Por que me sinto assim? tão perto dos meus 18 anos... sou quase "gente grande" já, por que então estou triste? se minha "liberdade" se torna cada vez mais próxima?! É, acho que é esse o motivo de minha tristeza, sinto que cresci um pouco, amadureci um pouco, aprendi também. E que, inconscientemente talvez, eu esteja matando aos poucos a criança que ainda sou, a criança que todos nós somos, aquela que a gente guarda e leva pro resto da vida. Daí senti saudade do banho de chuva, de jogar bola, brincar de carro com meu vizinho, de barbie com as meninas, senti saudade de quando eu não tinha algumas das responsabilidades que tenho, saudades do cheiro de material escolar novo, saudades do pão assado que hoje eu que tenho que fazer... saudades das coisas simples, que por serem tão simples eu não tenho dado muito atenção a elas, e que por isso percebo o quanto elas são necessárias. Ai que saudade de correr a rua inteira de pés descalços, de andar de bicicleta, enfim. Disso tudo eu tiro uma pergunta: quando sou feliz? quando nós somos felizes?! Sei que de alguma forma a criança que hoje quer ressucitar em mim, me fará mais feliz que qualquer "liberdade", que qualquer idade acima dos 18. Pois talvez seja aí que somos felizes, quando somos crianças e nossos únicos medos são de lobisomem e homem do saco. Quando nós acreditamos que temos a fórmula para mudar o mundo. Sim, aí nós somos felizes.

Beijos com sabor de "picolé de chocolate"
Boa leitura.

Cláudia Patrícia.

Revisão: Fahad Mohammed

15 de fevereiro de 2009

A Simplicidade de um Sorriso

Muitas vezes as pessoas acabam por deixar passar despercebido coisas que, no fundo, são as coisas mais importantes de nossas vidas. Gestos simples, mas que porém detém uma generosidade e sentimentos sem igual, gestos como um simples sorriso. Carinho, respeito, felicidade, amizade, amor, são sentimentos e sensações que um simples sorriso pode querer dizer, ou pode de fato dizer, sem emitir nenhuma palavra. Mas, para bom entendedor, meia palavra basta.

A maioria das pessoas passam nas nossas vidas, sorriem para nós, mas simplesmente deixamos que isso passe despercebido, o mesmo acontece com muitos dos sorrisos que nós damos aos outros. Todos fazem isso sem saber que os sorrisos são de um significado ininteligível, impossível de se compreender completamente, ou pelo menos é assim se não prestamos atenção.

Imaginem então, mais de duas horas viajando em um carro onde quatro estranhos me acompanham, em toda a viagem eu não vi nenhum sorriso, nem esperava ver, pra ser sincero. Depois mais quase uma hora esperando, pelo menos agora tive o sorriso simpático, e falso, da atendente da loja de conveniência após uma piada sem graça que eu fiz. Mas essas mais de três horas sem sequer um sorriso verdadeiro, um sorriso há muito esperado, valeram a pena quando eu vi aquele sorriso mágico, aquele sorriso que eu tanto sentia saudades.

E nas suas idas e vindas pra lá e pra cá, pra um lado e pro outro, eu sempre observava ele, e ele teimava em permanecer lá, estampado no seu rosto o tempo todo. Eu percebia que valeu a pena a espera, valeu a viagem, valeu a briga com mainha que não queria que eu viesse, só pra ver seu sorriso mágico, a sua alegria constante, coisas que eu não via há muito tempo.

Desculpas pelas vezes que eu te deixei falando sozinha, ou que sumi sem avisar. Isso não vai acontecer mais, uma vez eu te disse que você era uma irmã pra mim, mas descobri que é muito mais importante que isso, és alguém que chegou de mansinho e, mesmo sendo pequena, conquistou um espaço muito grande no meu coração. Não importa o tempo que passe, o quanto as coisas mudem, quantas pessoas novas eu conheça, eu tenho certeza que nunca sentirei tanta alegria em olhar pra alguém sorrindo do que essa que sinto quando olho pra o seu sorriso, o seu sorriso mágico. Um simples sorriso, que mostra que na simplicidade de um sorriso existem sentimentos muito mais complexos e que nós humanos somos incapazes de perceber, um sorriso ininteligível. O paradoxo da simplicidade e da complexidade.

Revisão: Cláudia Patrícia.

31 de janeiro de 2009

Fogos de Artifício

Sentimentos são como fogos de artifício. Alguns são muito belos, coloridos e brilhantes, enquanto outros podem queimar. Permanecem lá, esperando que alguém venha acendê-los, para depois explodir e iluminar o céu, ou para brilhar e machucar em seguida, ou só machucar. Depois da grande explosão, depois de aquecer alguns corações ele some, porém, pode permanecer para sempre em nossa memória e iluminar nosso céu a cada dia que lembramos deste, a cada dia que precisarmos. Ele pode também permanecer em nossa lembrança através da dor, como um machucado que custa a ser curado. No fim, surgirão outros, e outras pessoas para acendê-los, mas, para sempre lembraremos dos mais belos e felizes.

Esse texto não é meu, nem da minha companheira de blog. Mas é de alguém muito especial e eu achei de valia colocá-lo aqui. Eu gosto dele, é bonito, é sincero, é real, pelo menos um pouco.

Abraço. Boa leitura.

24 de janeiro de 2009

Sobre o escrever...

Então, agora tenho a dificil missão de assumir este blog. Dificil missão mesmo, tentar substituir Fahad é realmente coisa de louco, e é exatamente isso que eu sou. Depois de muita insistência (muita mesmo!) ele conseguiu fazer com que eu tentasse escrever algo. Na verdade me sinto insegura, e nunca gosto das coisas que eu escrevo, tenho o terrivel hábito de achar que eu nunca sou boa o suficiente. Mas depois de tanta insistência, eu acabei aceitando o convite desse meu amigo teimoso. Mas aí veio a dúvida: escrever sobre o que? Eu realmente não tinha ideias. Daí me ocorreu escrever sobre isso, escrever sobre o escrever. E então eu pergunto: o que é escrever? Que dificuldade é essa que eu encontro nesse simples ato? (será simples mesmo?!) talvez escrever não seja nada mais do que desenhar com as palavras, ou pegá-las no ar e colar aqui, colar num livro. Ou tornar concreto seus pensamentos, ou afagar ideias, ou desabafar, ou aliviar. E eu pergunto... o que é escrever? que arte é essa capaz de causar as mais belas sensações no alguém que ler? que arte é essa? alguém aí sabe me responder?

Boa leitura.
Abraço, Cláudia Patrícia.

8 de janeiro de 2009

Começo, meio ou fim?

Bem, já que a frase do mês é de um dos homens que concebeu a "liberdade moderna", por assim dizer. Vou citar uma outra frase de John E. E. Dalberg Acton, ou simplesmente Lord Acton. Mais uma sobre o poder, mas desta vez também sobre liberdade: "A liberdade não é um meio para um fim político mais elevado; ela é em si mesma o mais elevado fim político".

Nos resta questionar se nossos políticos sabem disso.

Afinal, o que é concebido como política? Vamos ao dicionário então para ver o que ele diz:

"Política

do Gr. politiké


s. f.,
ciência do governo das nações;
arte de dirigir as relações entre os Estados;
princípios que orientam a atitude administrativa de um governo;
conjunto de objetivos que servem de base à planificação de uma ou mais atividades;

fig.,
astúcia;
maneira hábil de agir;
civilidade." (grifos nossos)

Mas, questionando o dicionário um pouco, não seriam todas e quaisquer relações entre os indivíduos uma forma de política? Afinal as relações entre as pessoas semprem visam interesse em alguma coisa, nada acontece sem um interesse por trás, pelo menos não normalmente, as chamadas segundas intenções quase sempre existem, e são muitas vezes perigosas.

E há quem use a liberdade como um meio de se promover política, ou ainda de se auto-promover. Mas esquecendo-se justamente do que Lord Acton fala sobre a mesma, isso porque se voltarmos um pouco no tempo, as grandes reviravoltas na história da humanidade não foram alcançadas porque os homens eram livres, mas porque ansiavam sê-lo.

E quando há confusão entre fim e começo, começo e fim, aí sim é que percebemos que a liberdade não é só um fim político, mas também a base de toda a política (mas isso contradiz Lord Acton e transforma em um meio, certo?), é através dela e por causa dela que as pessoas foram capazes de encontrar meios para se "fazer política", seja qual for a política. Mas é então que chegamos numa outra pergunta: quais os meios para se alcançar a liberdade?

Politicamente falando, historicamente também, e ainda muito curiosamente, a corrupção é uma ferramenta bastante eficaz para alcançar a liberdade como fim político. Exemplos não faltam, desde o Egito, passando por Grécia e Roma, correndo nos borrões da história Cristã, chegando no seio da civilização Pré-Revolução Industrial, a Revolução Gloriosa, a Revolução Francesa, poderia passar o resto do dia citando tais eventos, que aconteceram mantidos por uma simbiose com a corrupção que inundou-os mesmo oculta sob a bandeira da liberdade.

Hoje em dia não é diferente, há casos recentes como as "guerras pela paz" promovidas recentemente por alguns governos ao redor do mundo. Si vis pacem, para bellum. Se queres paz, prepara a guerra. Lutam pelo que? Buscam o que? A paz? Que paz? Ser livre? Como se isso fosse realmente possível, ou passível de existência, sob a bandeira da guerra.

Abraço. Boa leitura.

Revisão: Revisora chegou! =D Cláudia Patrícia.

5 de janeiro de 2009

Quando somos livres?

Primeiro post de 2009. E já traz a cara nova do blog. Hoje sem imagem. Mas vou citar alguém pra começar, de certa forma duas. Há alguns anos, um professor meu de Português (saudades das suas aulas Cloacir) nos passou uma proposta de redação, e foi dele que ouvi pela primeira vez estas palavras de Renato Russo, que deveriam ser o tema da redação, é um trecho da música L'Aventura, de Legião Urbana: "Quem pensa por si mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria".

E a pergunta que fica é: quando somos livres?

Livre ou libertino? Liberdade ou libertinagem? Essas palavras transmitem conceitos abstratos e que, no fundo, talvez não sejamos capazes de estabelecer uma diferença notável ou um limiar. Hoje enxergo um pouco diferente da visão do Renato, vejo ser livre não como algo sério, mas justamente o contrário disso. Vejo a liberdade (se é que isso existe) como algo totalmente desprovido de regras, não há uma regra para ser livre, simplesmente se é.

Não quero dar uma conotação anárquica à liberdade, isso seria no mínimo libertino (e eu fazendo uso concreto dos termos que disse serem de significado abstrato). Mas somos livres, para fazermos o que bem entendemos, ou pelo menos assim deveria ser, com um mínimo de bom senso, o que não quer dizer que isso aconteceria por via de regras. Afinal, se sujeitar a regulamentos ou leis é privar-se de certa liberdade, ou não? E creio que a liberdade tem que ser total e irrestrita.

Então, ser livre não é sério. Sério é ser livre e cumprir todas regras, aliás não é sério, é entediante. Esperem, com ênfase, não é ser livre. Assim como Julián Marías disse que "qualquer escolha é também uma exclusão", toda regra é também uma prisão. Então não basta ser livre sendo sério, acho que precisamos apenas pensar por nós mesmos, e assim seremos livres. Sem essa de regras e regras.

Abraço. Boa leitura.


Revisão: Cláudia Patrícia.