7 de agosto de 2009

Respostas

Há muito tempo não coloco um conto aqui. Por hoje, tem algo interessante. Divirtam-se.



Respostas...


Não havendo mais nada que pudesse fazer, sem conseguir pensar em nada que pudesse acalmá-lo, ele saiu na varanda do seu apartamento e olhando o mundo do décimo terceiro andar levou a mão ao bolso e retirou mais um cigarro. Enquanto sentia a fumaça entrar e sair em seu pulmão, pensou em infinitas possibilidades, pensou em qual o sentido de tudo que acontecia e, ao terminar o cigarro, observou enquanto o filtro caia do alto até o chão da rua.

Fechou os olhos e ouviu atentamente enquanto as gotas do sereno tocavam cada superfície ao seu redor, mesmo com o vento forte daquela altura, era mais fácil ouvir dali do que do térreo. Sentiu os olhos marejarem e os abriu, deixando que uma lágrima solitária e quente percorresse todo o seu rosto. Olhou para trás e se perguntou quem era, e não encontrou a resposta.
Seria melhor se o tempo tivesse parado, se as escolhas nunca tivessem sido necessárias, mas dessa forma não teria vivido, não teria nada para contar. Sorriu e voltou a sua cama. Olhou para a escrivaninha, para os porta-retratos. Em cada um deles uma lembrança feliz, e quando somadas todas as lembranças, um vazio e uma tristeza sem fim apertando-lhe o peito.

Fechou os olhos, desejou dormir, mas não conseguiu. Levantou-se foi até o bar, pegou um de seus uísques preferidos, encheu um copo e bebeu sentido o gosto quente, amargo e saboroso ao mesmo tempo. Sentia que estava bebendo o néctar dos deuses, a única coisa que conseguia lhe trazer alguma paz durante toda a vida, uma maldita bebida, algo que sempre lhe dera prazer, mas agora apenas aliava as dores intermináveis que assombravam sua alma.

Nunca desejara não sentir tais dores, nunca se arrependera por ter cometido tantos erros. Mas sempre tomava alguns goles para aliviar as dores e arrepender-se por uns instantes. No fundo sentia saudades da vida que nunca tivera, sentia saudades de tudo que poderia ter se tornado. Sentia saudades de alguém que nunca existiu de fato, de alguém que sempre quis ser.

O dia estava amanhecendo os primeiros raios de sol já atingiam a varanda, olhou para o criado mudo desejando que ele falasse algo, sentou na cama e começou a colocar as botas, depois vestiu sua camisa, colocou os coldres, pegou suas pistolas, colocou o paletó por cima, apanhou sua insígnia, as chaves do quarto e desceu ao lobby do prédio. No saguão foi cumprimentado por algumas pessoas que chegavam de alguma festa, foi até a recepção tomou uns goles de café com o porteiro, acendeu um cigarro em seguida e dirigiu-se ao estacionamento. Começava mais um dia de trabalho, trabalho sem sentido, o sonho que sempre tivera, mas que de fato nunca vivera.


Abraço. Boa Leitura.

4 de agosto de 2009

Insônia: o Estágio para a Loucura

Chega a madrugada fria mais uma vez, e me perco por essas linhas mal escritas, e pouco lidas é verdade. Agradeço a todos que perdem tempo vindo aqui e lendo um pouco do que escrevo. Ultimamente tenho escrito nas madrugadas, frases sem sujeito, poesias sem rima, coisas que já não surtem mais efeito. Mas é que não tenho muito sono, por um motivo ou outro, alguns chamam isso de insônia, eu chamo de estágio para a loucura.

Parafraseando Cazuza e Frejat, a insônia nos convence diaramente que o céu faz tudo ficar infinito. Mas se não dormimos, como podemos sonhar?

Porque sonhar e viver são quase a mesma coisa, vivemos porque sonhamos, e sonhamos porque vivemos. Só há uma única diferença, vivemos de olhos abertos.

Noites de sono perdido, noites de insônia, noites sem sonhos. São noites frias, escuras e solitárias. São noites sem céu.

O poeta precisa da noite, para sonhar, para ter seus devaneios, para ser um pouco lunático, afinal, costumam dizer que alguém é "de lua" quando esse alguém é meio "louco".

As palavras como sempre são escassas ou sem sentido, termino citando Goethe, termino torcendo para conseguir encostar a cabeça no travesseiro e ter bons sonhos. "Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor."

Abraço. Boa leitura.

P.S.: Qualquer semelhança do título com o "Elogio da Loucura", de Erasmo de Rotterdam, não é mera coincidência.

Texto revisado: Cláudia Brito :)

3 de agosto de 2009

Licença Poética

Olá a todos, mais uma vez estou aqui trazendo as palavras nem sempre claras e, ocasionalmente, desajeitadas. Na verdade hoje eu queria escrever, simplesmente por estar com vontade, queria escrever qualquer bobagem. Preciso confessar que não tenho nada em mente para escrever, por isso estou enrolando um pouco, enquanto penso.

Sabem aquelas músicas da nossa infância - isso para quem é da minha geração -, tipo Balão Mágico, Xuxa, entre outras que me fogem à lembrança? Pois é, naquele tempo as crianças ouviam algo com significado e hoje em dia até a Xuxa canta: "Cinco macaquinhos pulavam na cama, um caiu com a cabeça no chão...".

Sinceramente prefiro quando ela cantava algo como: "Tudo pode ser, se quiser será, o sonho sempre vem pra quem sonhar. Tudo pode ser, só basta acreditar, tudo que tiver de ser, será". Quando a gente era criança, talvez nem parasse para pensar nisso, embora muitas vezes acreditássemos nessas palavras sem ao menos perceber.

O tempo passa, a gente cresce, e a maioria de nós deseja não ter crescido. Isso se chama saudade da infância. É aí que quando ouvimos isso de novo, paramos e pensamos um pouco no significado dessas palavras. Não sei precisar ao certo se é possível acreditar de verdade nisso depois que viramos "gente grande". Mas é bem verdade que a vida nos prega algumas peças, ou nos dá certas lições, que nos lembram realmente que tudo pode ser.

Só não entendi ainda o porquê do título da postagem, mas talvez seja isso mesmo, licença poética. Agora há pouco fiz uma rima em inglês que achei legal.

You don't have to hide your face
You don't have to hide when sunrise
You must not fall on disgrace
But you need to make your choice wise

Traduzindo para que não tenham o trabalho de traduzir, acho que não vai rimar, mas e daí?!

Você não tem que esconder seu rosto
Você não tem que se esconder ao amanhecer
Você não deve cair em desgraça
Mas você tem que fazer sua escolha sábia

Dava até pra fazer uma rima adaptada.

Você não tem que esconder sua graça
Você não tem que se esconder ao amanhecer
Você não dever cair em desgraça
Mas você tem que fazer sua escolha valer

No mais, por hoje é só.

Abraço. E boa leitura.


Revisão: Cláudia Brito =) Boa leitura.

24 de julho de 2009

Morte em vida

Tentando me readaptar a rotina que já tinha praticamente abandonado, volto a postar. "Matar um homem é uma coisa infernal. Você tira tudo o que ele tem, e o que ele poderia ter". Essa frase brilhante só podia ser de um filme de faroeste, de um dos melhores faroestes de todos os tempos, Os Imperdoáveis, com Clint Eastwood, e é o próprio quem fala isso enquanto vive o "matador de mulheres e crianças", Willie Munny. Mas como falamos de filmes, de bandidos e mocinhos, a personagem Electra King em um dos recentes filmes de James Bond, questionou: "de que adianta viver, se não pode sentir-se vivo?"

Parando um pouco pra pensar, me pergunto: é possível então tirar a vida de alguém sem matá-lo? Ou matá-lo sem tirar-lhe a vida? A resposta talvez não exista. Ou simplesmente não podemos enxergar. Ou ainda simplesmente não compreendamos.

Mas esse não é o foco. Quero falar do que disse Willie Munny, sobre tirar "tudo que ele [um homem] tem, e o que ele poderia ter". Se for possível tirar isso de alguém sem matá-lo, certamente esse alguem morreria depois. Mas tudo que temos e o que podemos ser é algo muito difícil de ser mensurado, avaliado ou sequer imaginado.

E quando morremos em vida? Quando alguém importante morre e morremos junto, quando alguém nos deixa para trás e ficamos sozinhos, quando olhamos pra frente e damos de cara com um espelho que só nos mostra o que deixamos para trás. A dor é ainda maior, é como "viver sem sentir-se vivo". Mas há cura para isso, e a cura pode ser passageira só pra que fiquemos bem, ou pode ser duradoura para que estejamos sempre bem, cabe a cada um tomar a dose que mais lhe agrade.

Não sei se ficou claro, mas quem lê isso aqui faz tempo já está acostumado as coisas sempénemcabeça que aparecem de vez em quando.

Abraço. Boa leitura.



Revisora depois passe aqui.

Revisora passou por aqui: Cláudia Brito.

13 de julho de 2009

Lembranças...

Há tempos sem escrever algo, resolvi soltar algumas linhas soltas, ou nem tanto. Alguém por aí disse que "lembrar é fácil para quem tem memória, esquecer porém é difícil para quem tem coração", mas será verdade? Será fácil lembrar de quem se ama e não se está presente? Será fácil lembrar de quem te fez bem e partiu? Será difícil esquecer, ou pelo menos desejar isso, das coisas que nos fazem mal? Talvez até seja mais difícil esquecer algo, alguém ou alguma coisa, do que lembrar-se, mas daí a dizer-se que é fácil lembrar, não é.

É fácil lembrar de um número de telefone, mas não é fácil lembrar que ela disse que ligaria e não ligou. É fácil lembrar de bons momentos juntos, mas não é fácil lembrar dos difíceis. É difícil esquecer desses tais momentos difíceis, mas não é difícil esquecer das razões que os tornaram difíceis. É difícil esquecer que prometemos algo, mas não é difícil esquecer que não cumprimos.

São só exemplos da complexidade da lembrança.

As lembranças, boas ou ruins, no fundo servem como linha que costura nossa identidade. Lembranças boas nos deixarão bem, e podem produzir novas lembranças boas. Já as lembranças ruins provocam o efeito inverso. No meio disso tudo tem algo curioso, é mais fácil lembrar de momentos ruins do que de momentos bons, isso porque a natureza humana é estranhamente misteriosa. Shakespeare disse que um dia você "descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas alguns segundos para destruí-la; e que você em um instante poderá fazer coisas das quais se arrependerá pelo resto da vida". E talvez essa seja uma possível resposta que pode explicar porque é mais fácil lembrarmos de coisas ruins, porque elas nos marcam, nos fazem nos arrepender, nos fazem desconfiar, enquanto as coisas boas das quais não nos arrependemos, as quais nos fazem aprender a confiar vão passado, muitas vezes despercebidas.

Por hoje é só, será que a revisora ainda lembra de passar por aqui?


Revisão: Cláudia Brito
Lembro sim, meu bem. Texto revisado.


Lembra demais. Se eu num tivesse falado.

24 de março de 2009

Feliz Aniversário

"Feliz aniversário"", "Parabéns!", "Tudo de bom pra você!", estas e outras frases feitas formam uma vasta lista de congratulações comuns quando apagamos uma velinha a mais em nosso bolo da vida. Eu odeio clichês, mas admito que eles são necessários, mais que isso são imprescindíveis, já imaginou o que seria se não existisse, ou não se dissesse: "eu te amo"?

Apagar velas, completar mais um ano de vida. Que relação há nisso? Afinal mais um ano de vida é uma nova esperança, em um novo tempo, em alguma mudança, mas apagar velas traz escuridão. Não seria isso um pouco contraditório? Talvez. Mas observando por outra ótica, podemos relacionar o apagar das velas ao fim do dia, quando a noite vem e escurece os céus para que eles possam, no dia seguinte, brilhar novamente.

Eu queria escrever mais sobre isso, mas não encontro palavras, ou talvez não as esteja procurando no lugar correto. Ou ainda não as queira procurar. E o presente que sobra é o sorriso, singelo e feliz, outrora meu, agora dos outros que o viram e sentiram.

Pra quem faz aniversário hoje, meus parabéns (mas sem aqueles clichês todos). Só queria dizer que a vida é curta e que vale a pena vivê-la intensamente.

25 de fevereiro de 2009

Ei! Cadê você?!

A maioria das crianças não veem a hora de crescer.. de se tornar "gente grande". Pois é! Eu também era assim. Não via a hora de ser independente, de poder ir e vir na hora que eu quisesse, fazer o que eu bem entendesse. E, preciso confessar, em alguns aspectos ainda sou assim. Espero loucamente pelos meus 18 anos, passar no vestibular, ir morar em outra cidade, longe dos cuidados da minha família, tendo a "liberdade" que eu tanto sonho. Mas hoje me flagrei muio triste, percebi que eu não estava ansiosa para o inicio das aulas (coisa absurdamente estranha), percebi que no ano passado eu não tinha esperado tanto pelo natal, nem pelo ano novo, nem fiz minha lista de metas e, no fundo, eu não criei aquela ilusão de que 2009 seria um ano melhor, não senti a sensação de recomeço, não senti vontade de mudar. É, isso definitivamente mexeu muito comigo. Por que me sinto assim? tão perto dos meus 18 anos... sou quase "gente grande" já, por que então estou triste? se minha "liberdade" se torna cada vez mais próxima?! É, acho que é esse o motivo de minha tristeza, sinto que cresci um pouco, amadureci um pouco, aprendi também. E que, inconscientemente talvez, eu esteja matando aos poucos a criança que ainda sou, a criança que todos nós somos, aquela que a gente guarda e leva pro resto da vida. Daí senti saudade do banho de chuva, de jogar bola, brincar de carro com meu vizinho, de barbie com as meninas, senti saudade de quando eu não tinha algumas das responsabilidades que tenho, saudades do cheiro de material escolar novo, saudades do pão assado que hoje eu que tenho que fazer... saudades das coisas simples, que por serem tão simples eu não tenho dado muito atenção a elas, e que por isso percebo o quanto elas são necessárias. Ai que saudade de correr a rua inteira de pés descalços, de andar de bicicleta, enfim. Disso tudo eu tiro uma pergunta: quando sou feliz? quando nós somos felizes?! Sei que de alguma forma a criança que hoje quer ressucitar em mim, me fará mais feliz que qualquer "liberdade", que qualquer idade acima dos 18. Pois talvez seja aí que somos felizes, quando somos crianças e nossos únicos medos são de lobisomem e homem do saco. Quando nós acreditamos que temos a fórmula para mudar o mundo. Sim, aí nós somos felizes.

Beijos com sabor de "picolé de chocolate"
Boa leitura.

Cláudia Patrícia.

Revisão: Fahad Mohammed

15 de fevereiro de 2009

A Simplicidade de um Sorriso

Muitas vezes as pessoas acabam por deixar passar despercebido coisas que, no fundo, são as coisas mais importantes de nossas vidas. Gestos simples, mas que porém detém uma generosidade e sentimentos sem igual, gestos como um simples sorriso. Carinho, respeito, felicidade, amizade, amor, são sentimentos e sensações que um simples sorriso pode querer dizer, ou pode de fato dizer, sem emitir nenhuma palavra. Mas, para bom entendedor, meia palavra basta.

A maioria das pessoas passam nas nossas vidas, sorriem para nós, mas simplesmente deixamos que isso passe despercebido, o mesmo acontece com muitos dos sorrisos que nós damos aos outros. Todos fazem isso sem saber que os sorrisos são de um significado ininteligível, impossível de se compreender completamente, ou pelo menos é assim se não prestamos atenção.

Imaginem então, mais de duas horas viajando em um carro onde quatro estranhos me acompanham, em toda a viagem eu não vi nenhum sorriso, nem esperava ver, pra ser sincero. Depois mais quase uma hora esperando, pelo menos agora tive o sorriso simpático, e falso, da atendente da loja de conveniência após uma piada sem graça que eu fiz. Mas essas mais de três horas sem sequer um sorriso verdadeiro, um sorriso há muito esperado, valeram a pena quando eu vi aquele sorriso mágico, aquele sorriso que eu tanto sentia saudades.

E nas suas idas e vindas pra lá e pra cá, pra um lado e pro outro, eu sempre observava ele, e ele teimava em permanecer lá, estampado no seu rosto o tempo todo. Eu percebia que valeu a pena a espera, valeu a viagem, valeu a briga com mainha que não queria que eu viesse, só pra ver seu sorriso mágico, a sua alegria constante, coisas que eu não via há muito tempo.

Desculpas pelas vezes que eu te deixei falando sozinha, ou que sumi sem avisar. Isso não vai acontecer mais, uma vez eu te disse que você era uma irmã pra mim, mas descobri que é muito mais importante que isso, és alguém que chegou de mansinho e, mesmo sendo pequena, conquistou um espaço muito grande no meu coração. Não importa o tempo que passe, o quanto as coisas mudem, quantas pessoas novas eu conheça, eu tenho certeza que nunca sentirei tanta alegria em olhar pra alguém sorrindo do que essa que sinto quando olho pra o seu sorriso, o seu sorriso mágico. Um simples sorriso, que mostra que na simplicidade de um sorriso existem sentimentos muito mais complexos e que nós humanos somos incapazes de perceber, um sorriso ininteligível. O paradoxo da simplicidade e da complexidade.

Revisão: Cláudia Patrícia.