6 de novembro de 2009

Microconto #1 e #2

Ópera Muda

Fechou a boca. Bebeu o vinho. E em seguida cantou silenciosamente. No final todos taparam os ouvidos e aplaudiram.


Blues da Fumaça

Pegou a viola. Acendeu um cigarro. Endireitou o microfone. Começou a cantar um blues estranho. Todos começaram a acender seus cigarros. E de repente só via-se a fumaça.

5 de novembro de 2009

O Louco

O louco é uma personalidade que cada um carrega dentro de si, é uma possibilidade de extrapolar os padrões da sociedade e da "moralidade social" que se preocupa muito mais com o "bem estar social", do que com a moral em suma. Não sou um moralista, não mesmo, não ostento nenhum vestígio de moralidade, pelo menos não dessa moralidade que a sociedade prega.

"A moral não tem importância e os valores morais não têm qualquer validade, só são úteis ou inúteis consoante a situação", falou Nietzsche.

Tenho meus princípios, e eles valem para mim, e somente para mim. Acredito em sua essência, e não condeno os outros tomando por base os meus princípios, porque ninguém os conhece. Mas também não posso absolvê-los de acordo com os princípios sociais de qualquer espécie que eu me recuso a compactuar. De forma que simplesmente não os julgo, não cabe a mim.

E não confundam criticar - o que por vezes faço aqui, nesse canto que é meu - com condenar. Condenar é pejorativo.

Mas voltando ao louco, eu queria ser louco, queria poder sentir prazer ao receber um choque anafilático, queria poder sentir essa reação do nosso corpo constantemente. Queria provar do temeroso sabor dos venenos mais letais que o homem conheça, ou até mesmo desconheça.

Me acham louco? Como podem julgar alguém louco sem o conhecer intimamente?

Parafraseando Nietzsche, é como ver pessoas dançando ao longe e chamá-las de loucas, mesmo sem podermos ouvir a música.

Eu não sei se sou louco, não sei se meus devaneios são loucuras, se minhas aspirações são loucuras, se meus desejos mais íntimos são loucuras. Não sei se minha crença no amor é válida. Mas encerro outra vez com Nietzsche: "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."


Abraço. Boa leitura.

4 de novembro de 2009

O Fantástico Mundo dos Sonhos

Agora realmente um mundo estranho, trocava nomes, rostos, gostos. Nada fazia muito sentido. Era tudo tão diferente, e dessa vez a insanidade imperava.

Era uma imensa arena, completamente verde. De tão verde que era chegava a ser brilhante. Veio um cocheiro trazendo cavalos e nos convidando a cavalgar. E com algum reluto, resolvemos aceitar.

Começamos a correr pela arena verde, de repente saímos por um portão, e os belos cavalos se transformaram em unicórnios e pégasos. E as mais diversas criaturas começaram a nos acompanhar.

Centauros, elfos, anões, gnomos, duendes, fadas. Era como se fossemos uma só força em movimento. E tamanha a alegria que nós carregávamos, começaram a nos acompanhar até as flores, libertando suas pétalas que pareciam uma nuvem soprada pelo vento.

E enquanto íamos correndo, eu sentia ir mais rápido, a criatura que me levava parecia acelerar, e olhando pra trás já via distante todos aqueles seres fantásticos.

O despertador tocou, e eu acordei. Que pena.

Abraço. Boa leitura.


P.S.: E isso foi mesmo um sonho, aconteceu de verdade, no sonho.

Poesia de Irmãos II

Poesia de Irmãos II

Há tantas milhas irmã minha
Está você e seu encanto
Que afaga o meu pranto
E ao meu lado caminha

Tão distante irmão meu
Está você e seu talento
Brindando o amor que nasceu
Sem deixar ressentimento

Em qualquer lugar estão amores
No campo são como as flores
Nos mares como os golfinhos
E no céu como os passarinhos

Assim o amor não nasce então
Floresce, saltita e voa
E quando passar a garoa
Repousará num coração


Fahad Mohammed & Natália Louise


Abraço. Boa leitura.


P.S.:E ela que disse que ia colocar no blog dela também, ainda estou esperando.

3 de novembro de 2009

Aquarela

Aquarela

Eu podia ter ficado
Vendo a novela
E sem conhecer ela

Eu podia ter calado
Quando sua voz bela
Me pareceu tagarela

Mas resolvi seguir
Responder e inquirir

E mesmo sem provocar
Muito menos insinuar
(Nem eu e nem ela)
Pintamos nossa aquarela

Mas e no fim então?
Formamos um belo par?
Alguma coisa pra cantar
Um amor ou uma canção


Abraço. Boa leitura.

Crime e Castigo

E a vontade de escrever hoje foi muito grande, mas ao mesmo tempo foi grande a vontade de sumir, de ir embora pra algum lugar no meio do nada, de poder sentar, olhar pro céu e entender um pouco de almas, de tentações e, principalmente, de pessoas importantes que por um motivo ou outro brincam conosco, ou nos julgam, ou pior, nos condenam sem direito de defesa.

A culpa, por mais que sejamos inocentes, é dolorosa.

Eu que não tenho que provar nada pra ninguém. Eu sou homem, a minha consciência, por mais que as vezes se adense, é a prova viva de qualquer julgamento que me façam. Não sou nenhum santo, mas não queira me vestir como um demônio, não queira me vestir como o pior dos homens, porque eu não sou.

A justiça, seja ela qual for, tarda, mas não falha. É assim que diz o ditado.

Eu vou dormir. Vou tentar. Os fantasmas dos crimes que não cometi me assombram, pois que venham me assombrar aos montes, que venham todas as legiões de fantasmas. E que sejam capazes de me trazer todo o terror que possam carregar em seus espectros.

Mas venham sabendo que aqui vive um gigante! Um gigante de idéias, um gigante de coragem, um gigante com alma à prova de balas! E que um dia será o contrário, será o gigante que irá caçá-los, que irá vasculhar em cada olhar de reprovação, em cada palavra de condenação, em cada gesto de desalento. Caçar a verdade.

E repito, não sou santo, não sou o melhor dos homens. Mas não vou admitir que me coloquem as vestes de um demônio, que condenem por crimes que eu não cometi. Pagarei, sem dúvida, pelos meus erros, mas não posso admitir que me condenem pelo que não fiz.

Desculpem o desabafo, mas precisava falar algo, precisava descarregar, e nada melhor que descarregar em palavras, afinal, elas não me condenarão nunca.

Abraço. Boa leitura.

2 de novembro de 2009

No Meio de Tudo Você

No meio de tudo, no meio do nada, tanta gente ao seu redor que ele mais se sentia sozinho. As pessoas se cruzavam e nem se olhavam direito. As vozes, os sussurros, todos os sons, eram tão altos que não se podia ouvir.

Foi então que lá bem longe enxergou algo diferente, especial. E de repente ele podia ouvir algo parecido com uma voz amiga, um alento. Podia observar algo que apesar de tudo, o fitava mesmo que fosse apenas em essência.

Era uma rainha, ou pelo menos deveria ter sido. A mais bela escultura que jamais vira, era mais viva que qualquer das pessoas daquele lugar estranho. Ele a rodeou, a observou, feito louco chegou até mesmo a conversar com ela.

E então, em um surto da mais pura loucura, ele a beijou. E a rainha era como fogo, vermelha! E ela usava duas esmeraldas preciosas! E o gosto era de mel de abelha! E a rima se vestia de prosa!

E o fogo o queimou, o brilho das esmeraldas foi se indo, o gosto de mel, esse ficou, e ele que queria pensar uma rima, acabou escrevendo uma prosa. Embriagado pela loucura, foi deitando devagar e aos poucos despertando.

Ao abrir os olhos, olhou pela janela e vendo o muro da casa percebeu que estava no seu velho quarto. Mais um sonho estranho, sem explicação, daqueles que só ele podia entender. E a rainha, por onde andava? Pensava?

Abraço. Boa leitura.


P.S.: No título menção a uma música dos Engenheiros do Hawaii, tava com saudades de lembrá-los por aqui.

1 de novembro de 2009

Velhos Hábitos

Velhos hábitos são como respirar, involuntariamente necessários. Mas como saber se nossos velhos hábitos estão velhos realmente? Como saber se já são involuntariamente necessários?

O dia estava amanhecendo e ele continuava com os mesmos velhos hábitos de sempre, falava sozinho, pensava em voz alta, levava a mão ao bolso e apanhava um cigarro, caminhava sem saber exatamente aonde seus passos o estavam levando, e continuava sempre pensando no que tinha acontecido na última noite. Mas dessa vez tinha sido uma surpresa boa.

Como falei há alguns dias, eu estava tentando parar de fumar, tentando atender um pedido especial, mas acho que queimar o cigarro e ver a fumaça subir se tornou um velho hábito, como pensar, respirar. Então, 11 dias e 23 horas depois eu resolvi desistir de parar. Velhos hábitos devem nos acompanhar, afinal são eles quem definem quem somos de verdade.

O cara de barba, dentes amarelos do cigarro, voz rouca das gritarias, usando um óculos aos pedaçoes e completamente embaçado, alguém que as pessoas costumavam contar muitas histórias, algumas eram mitos, outras nem tanto. E de repente, um olhar congelante, um sorriso ardente, e um beijo.

Estou vendo o futebol enquanto escrevo, e o meu time acaba de empatar, então, me permitam acabar antes do que gostaria, mas o futebol, as corridas de automóvel, são velhos hábitos de todos os homens.

Ele se foi, ela se foi. Por enquanto? Ou portanto? Ele se pergunta quando? E ela o que se pergunta?

Abraço. Boa leitura.