28 de fevereiro de 2012

Intolerável Tolerância

O gosto pela intolerância é cada vez maior entre as pessoas. É constante a situação de uns exigindo tolerância por meio da intolerância, é algo como: "Você tem que me respeitar, mas a recíproca não se aplica".

Eu não sou envangélico e nem sou homossexual, o fato é que essa briga entre protestantes e homossexuais está ficando ridícula, aliás é ridícula desde o princípio. Agora está ficando criminoso, desumana, ao ponto de um lado comemorar a morte de um expoente do outro.

É chocante, mas a morte de um pastor em Recife, assassinado pelo próprio filho, gerou inúmeras manifestações de satisfação de parte da comunidade homossexual, e eu me pergunto: a troco de quê?

Esse ódio que os dois lados têm demonstrado entre si é algo tão bestial, ao ponto de ser assustador. Enquanto os protestantes querem que os homossexuais sejam banidos do convívio social, estes comemoram a morte de um líder evangélico. Porque tanto ódio?

Tanto um, quanto o outro grupo querem a mesma coisa: respeito. Ambos querem que seu espaço seja respeitado dentro do convívio social. O que tanto um, quanto o outro esquecem é que na sociedade é preciso respeitar o espaço alheio, ou pelo menos assim deveria ser.

Provavelmente vai aparecer um e outro dizendo que eu tô tomando partido. Eu não estou. Apenas vejo o que está acontecendo, custo a acreditar que ambos estejam certos em suas formas de tentarem "resolver" o assunto, afinal se ambos estão agindo da mesma forma, é impossível que ambos estejam igualmente certos.


Abraço. Boa leitura.

30 de janeiro de 2012

Bandidos, Heróis e Togas...

"O Judiciário está com um gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga".

Essa frase da Min. Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, é notícia de ontem, é verdade. Mas nem tão de ontem assim. Pois passados pouco mais de quatro meses da tão alardeada e polêmica afirmação o que se tem visto nos noticiários é que estão abrindo a "caixa-preta" do Poder Judiciário.

As denúncias que começaram com um caso de propina recebida por um juiz no norte do país, já chegaram a praticamente todos os Tribunais de Justiça do país, inclusive o do nosso Rio Potengi. A tal "caixa-preta", mais parece uma Caixa de Pandora, está destruíndo a crença das pessoas na Justiça.

Pessoalmente não acho que seja hora de apontar culpados. Pessoalmente acho que seja hora de procurarmos idealistas. E não falo de sair por aí procurando pensadores utópicos, não. Falo de procurar o idealista que está dentro de cada um de nós. Tenho certeza que mesmo o mais corrupto magistrado, um dia já quis acreditar que poderia fazer a diferença.

Faço agora um apelo pessoal à sociedade que não perca a crença na Justiça, porque é, ainda, nossa última esperança. E à Justiça, que não se deixe destruir pelos monstros que tem saído dessa Caixa de Pandora, mas que os heróis togados que estão por aí possam destruir esses bandidos que se infiltraram atrás das togas, que não os escondam ainda que com boas intenções, pois eles estão a destruir a Justiça como um câncer.


Abraço. Boa leitura.

8 de janeiro de 2012

SUS

Recentemente eu passei por uma experiência que me deixou pensativo e que me fez ver que estou certo quando digo que só nos importa aquilo que nos interessa. Se não nos diz respeito, se não pode nos trazer algum benefício, que se dane. Não pode haver uma outra explicação razoável para tanto.

Ainda no ano que já não existe mais, tive a oportunidade - ou seria um infortúnio? - de passar pelos serviços oferecidos por aquele que, na teoria, deveria ser o melhor sistema de saúde do mundo, o SUS. Vou narrar em brevidade para que não fique efadonho e eu possa chegar onde quero.

Cheguei num local de atendimento por volta das sete da manhã e recebi a ficha de número 20, quase que ao mesmo tempo que eu, o médico que atenderia a mim e a outras pessoas ali também chegou. Por causa do barulho, fui atender a um telefonema em outro local. Ao retornar, cerca de seis minutos, me surpreendi ao saber que a quinta pessoa já estava sendo atendida. Esperei mais um pouco e, sendo a vigésima pessoa a ser atendida, por volta das sete e quarenta já havia sido atendido.

Isso é um absurdo!

É impossível que um médico atenda de forma razoável vinte pessoas em quarenta minutos, em dois minutos o máximo que ele vai conseguir fazer é perguntar o nome da pessoa e o que ela sente. Grande parte dos atendidos ali deixavam o consultório inclusive com receitas. Imagine que nesse ritmo, se trabalhasse quatro horas diárias um médico atenderia 480 pessoas. Inconcebível.

Vejo rotineiramente muita gente reclamando da saúde pública, médicos inclusive. Mas, salvo engano, recentes greves da categoria não cobravam melhorias nas condições de trabalho, mas tão somente melhorias salarias. O médico deveria atender as pessoas com um mínimo de dignidade, mas é impossível ser digno em dois minutos, e desafio qualquer um a dizer que é possível dar um diagnóstico razoável nesse tempo.

As pessoas parecem tratar os médicos como anjos intocáveis, e eles até podem ter um pouco disso, mas não se pode admitir que médicos sejam incriticáveis. Não se pode admitir que médicos tratem pessoas como animais, que não as deêm um atendimento moralmente digno. Porque o médico que assim agir no setor privado não terá pacientes, se não é aceitável no setor privado, porque temos que aceitar isso no serviço público?


Abraço. Boa leitura.

20 de dezembro de 2011

Adeus Ano Velho

Mais um ano chegando ao fim, mais um ano se preparando para começar. Hora de confraternizar com amigos, familiares e colegas de trabalho, hora de comprar presentes, hora de fazer promessas. "Esse ano foi ótimo, que o próximo seja excelente", é algo assim que a maioria das pessoas costuma dizer.

É engraçado como as pessoas esquecem dos problemas nesse período do ano, é como se o novo ano que está por vir fosse fazer os problemas sumirem em um passe de mágica. As esperanças normalmente se renovam, seja em antigos sonhos ou em novos objetivos.

A maior parte do tempo eu encaro a maioria dos clichês de fim de ano como idiotice aplicada, mas no fundo sei que é uma idiotice necessária. Passamos o ano inteiro preocupados com nosso trabalho, nossos afazeres, nossos problemas, não pode haver mal em jogar tudo pra cima na última semana do ano.

Então tudo pro ar. Vamos esquecer Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva e Carlos Lupi, os sete ministros que caíram no primeiro ano do (des)governo Dilma, seis deles envolvidos em corrupção. Vamos esquecer as ONGs milionárias, vamos esquecer a dinastia jurídica que o Supremo Tribunal Federal vem criando, vamos esquecer o papel de bobo da corte que o Congresso Nacional vem ocupando no (des)governo Dilma. Vamos esquecer tudo isso e fazer de conta que está tudo bem, porque é Natal e depois é Ano Novo, e tudo se realiza.

Só não podemos esquecer da máxima poética de Seu Madruga: "As pessoas boas devem amar seus inimigos".


Abraço. Boa leitura.

29 de novembro de 2011

'Patafísica, poloneses e escândalos...

Hoje andei lendo sobre a 'patafísica, que imediatamente transformou-se em minha ciência preferida, isso porque apenas por meio dela é que determinadas situações absurdas e assustadoras podem ser explicadas, principalmente com relação aos acontecimentos no nosso Brasil "ex-colônia".

Criada pelo dramaturgo francês Alfred Jarry, tem origem no grego e significa algo como "o que está acima (do que está além) da física", remetendo um pouco à metafísica ("depois da física"), e é a ciência das soluções imaginárias e das leis que regulam as exceções.

O Ubu Rei, personagem conhecido de Jarry, afirmou categoricamente que se não existisse a Polônia, não existiriam os poloneses. Isso é simplesmente brilhante! No Brasil podemos readaptar o cenário, podemos dizer que não houvessem políticos corruptos não haveriam escândalos. Mas esse é um sonho distante.

Todos os dias os jornais noticiam novos escândalos, em todas as esferas do poder público, de todas as agremiações partidárias, o rastro sujo se escorre por todo e qualquer espaço por onde possa passar pelo menos um centavo de dinheiro público. E a população pouco, ou nada, se preocupa. Estão muito mais interessados nas barganhas que pedirão ou receberão em pouco menos de um ano.

Aquele que é investido, pelo povo, para defender os interesses da sociedade, bem como seus auxiliares, diretos ou não, deveria no mínimo ter o dever de probidade, isso na teoria. A prática é completamente outra, e sem saber os nossos queridos políticos acabam aplicando a ciência criada por Alfred Jarry, criam leis para regular a exceção, criam leis para atender única e exclusivamente os próprios interesses.

"Se não existisse a Polônia, não existiriam os poloneses". Ah, se não existisse o Congresso, só pra começar...


Abraço. Boa leitura.

31 de outubro de 2011

Paz em Guerra

O homem já lutou incontáveis guerras desde o início dos tempos, e ainda lutará outras tantas até o fim dos tempos. A guerra está tão ligada à natureza humana quanto o desejo animal de reprodução – e talvez seja tão animal quanto, ou até mais. Se a guerra é essencialmente um mal, então o homem também o é.

E o que é mesmo a guerra? Sem muitas especialidades, é possível ser sintético e dizer que a guerra é quando homens matam homens. O assassinato é um ato de guerra, sem dúvida o mais característico de todos. Talvez por isso, e numa tentativa vã de cessar com as guerras, as religiões cristãs tenham posto através de seus profetas um mandamento específico: “Não matarás”.

A guerra não é um meio para outro fim se não para a própria guerra.

Poder, dinheiro, petróleo, territórios, entre outras coisas são usadas como pretextos para que os homens possam perpetuar a guerra. Os homens precisam de guerras, tanto quanto precisam de paz, só que precisam estar em guerra para estarem em paz. A paz sozinha não é o bastante para a natureza humana, a paz sozinha é inconcebível.

A história nos faz crer que ao fim de uma guerra todos os lados saem derrotados de alguma forma, mas enquanto a guerra está acontecendo alguém está vencendo, ainda que momentaneamente. É esse, talvez, o mais claro sinal de que o homem precisa da guerra, reconhecer que ao fim de uma guerra todos perdem.

Com todas as suas mazelas e riscos, a grande diferença – e talvez a única – entre a paz e a guerra, é que na paz homens não matam homens.

Mas homens continuam a morrer. Fome, doenças, acidentes ou o próprio tempo fazem na paz, o que o homem faz na guerra. A paz nada mais é que a guerra sem seu ato mais característico. E então me lembro de uma passagem em latim: “Si vis pacem, para bellum”. Se queres paz, prepara-te para guerra!


Abraço. Boa leitura.

22 de outubro de 2011

Mas. (Ponto final)

Eu não precisava escrever, mas. (Ponto final). O céu é azul, mas. (Ponto final). Os pássaros voam, mas. (Ponto final). Aquele batom vermelho era encantador, mas. (Ponto final). As pessoas sempre têm uma escolha, mas. (Ponto final). A noite estava calma, mas. (Ponto final). Um bom vinho sempre é uma boa companhia, mas. (Ponto final). Eu poderia continuar com isso, mas. (Ponto final).

Algum sentido no que eu escrevi antes? Possivelmente não. É engraçado? Talvez. O fato é que sempre que colocamos um "mas" após uma vírgula, uma pausa, esperamos não só uma continuidade, mas uma inversão de pensamentos, uma adversidade ao que foi dito antes. Não dá pra dizer: "Júlia gosto de você, mas. (Ponto final)". Continuemos então.

Resolvi escrever. Às vezes também é cinza. Não me trazem notícias suas. Eu não podia tocá-lo. Preferes ficar em cima do muro. Aquele abraço era cheio de tudo que não fosse calmo. Eu prefiro a sua companhia. Acho que as pessoas já podem entender o que eu quis dizer.

Preciso de algo mais para ir adiante.


Abraço. Boa leitura.

15 de outubro de 2011

Interesses

É na correria de uma cidade grande em que nós podemos perceber que, no mundo real, ninguém se importa com os outros. É verdade também que isso não é absoluto, mas basta conflitar o interesse do outro com o seu próprio e as pessoas estarão dispostas a mostrar quem realmente são por detrás da máscara de politicamente correto ou por detrás do escudo e espada de paladino da igualdade.

Num mundo ideal, se um mendigo na porta de um restaurante nos pedisse dinheiro pra comida e nós só tivéssemos o bastante para pagar a nossa comida compraríamos a comida pra viagem - porque certamente o restaurante não aceitaria que duas pessoas dividissem o mesmo prato - e comeríamos na rua dividindo com o mendigo. No mundo real nós olhamos para o lado e dizemos alguma palavra de negação ou simplesmente ignoramos.

Mas é sempre muito bonito falar no bem alheio. É sempre digno de aplausos quando alguém usa uma bela frase de fraternidade, justiça ou igualdade. É discurso recorrente atacar a hipocrisia, falar em ética, moral e dignidade. As pessoas só costumam esquecer que antes de satisfazer os interesses alheios, o que importa mesmo é satisfazer o nosso interesse pessoal e que a maior hipocrisia é satisfazer o interesse pessoal sob o argumento de satisfazer o interesse coletivo.

Seria muito mais fácil viver no mundo se um ato dessa natureza não existisse. As pessoas deveriam ser capazes de admitir que o próprios interesses vêm antes dos interesses alheios, mas ao invés disso vivem em uma espécie de peça teatral da vida moderna querendo pregar um faz de conta que todos sabemos que não existe.

Eu me importo primeiro comigo, é o meu interesse que eu coloco na frente, não tenho medo e nem vergonha de esconder isso. Se eu tiver que escolher entre o meu interesse e o de quem quer que seja, escolherei o meu, sem pestanejar. Se eu puder atender o meu interesse e, de brinde, o interesse coletivo será ótimo, mas não vou me colocar em segundo plano.

E para os quem acham que minhas palavras e meus atos são repletos de hipocrisia, não cito ninguém, não conto nenhuma história bonita de quando eu era criança e nem dou nenhuma satisfação. Eu tenho uma pergunta: eu admito que o meu interesse fica em primeiro plano, sou hipócrita por isso? Se defender o interesse próprio em nome do interesse coletivo é conceito de honestidade, ética e moralidade, eu prefiro que as pessoas continuem achando que eu não tenho nenhum pouco disso. (E o que as pessoas pensam, aliás, pouco me importa).


Abraço. Boa leitura.