23 de dezembro de 2009

Devaneios

Ele estava sentado de frente para o mar, um café, um cigarro, mas sem companhia. Ficou imaginando o que ela estava fazendo, fazia poucas horas desde que tinham conversado pela última vez, e mesmo assim parecia fazer uma eternidade. Sabia muito bem que não conseguiria mais passar um dia sequer sem saber dela.

Ele não conseguia parar de pensar nela sem graça. Ela se sentia assim normalmente quando leh falavam algo que lhe agradava, embora ficasse sem graça em agradecer para não parecer convencida. Mantinha a cabeça baixa porque podia ser que seus olhos estivessem brilhando e não queria arriscar que seus olhos brilhassem pra qualquer um. Colocava a mão no rosto tentando esconder o discreto sorriso de satisfação e preferia não dizer nada para não falar algo que achasse não dever.

Mas o que ela não sabia, é que era ele quem ficava sem graça quando falava algo que a deixava assim. Para sorte dele, não tinha ninguém por perto então ele não tinha que tentar disfarçar nada. Simplesmente fazia de conta que estava tudo bem. Por várias vezes pensou em telefonar-lhe para ouvir sua voz apenas, mas não teve coragem.

Deu o último gole no café, respirou fundo. E partiu.

Caminhando com o vento contra o rosto, tinha uma coisa que ele não conseguia entender: porque ela era tão diferente. Tão diferente que era demasiadamente atraente. Não importa. Cedo ou tarde ia ser como sempre, ele ia acabar se machucando. E pela segunda vez desejou estar errado desde que a conheceu.

Atravessou a rua. E foi se misturando a multidão. Mais uma vez estava sozinho. Até quando?


Abraço. Boa leitura.

2 comentários:

Fernanda. disse...

Acho que ela iria gostar de receber uma ligação dele. Se ela lesse esse texto, aposto que baixaria a cabeça, colocaria a mão na frente dos olhos e riria timidamente. Imaginando como uma pessoa poderia escrever algo tão bonito, falando dela.


Beijão.

Luana Gabriela disse...

Amei o texto.

Ela deveria ler.

Para provar que ele não estava errado, que dessa vez não ia sofrer.

Abç.